O corredor até a garagem era longo e silencioso, ecoando apenas o som de nossos passos, os dele firmes, os meus abafados pelo salto baixo que ele, notavelmente, também providenciara. Ao contrário da Maserati Quattroporte preta e agressiva que ele costumava dirigir, um Cadillac Escalade grande e imponente nos aguardava. Um motorista, um homem de meia-idade com o olhar vazio de quem viu demais, já estava à postos. Dante abriu a porta para mim, a mão repousando no topo da moldura num gesto que poderia ser galante ou apenas mais uma forma de controle. Entrei. O interior cheirava a couro novo e a uma fragrância amadeirada, discreta, que era puramente ele. Ele sentou-se ao meu lado, o espaço do banco traseiro sendo ao mesmo tempo vasto e sufocante. O carro deslizou para fora dos portões da pr

