O portão da mansão principal ainda não havia se fechado completamente atrás de nós quando a atmosfera dentro do carro se transformou. A fúria gelada e o discurso sobre pontos fracos evaporaram, deixando no ar uma tensão de outra ordem. Um silêncio espesso, carregado de eletricidade estática, preencheu o espaço entre Dante e eu no banco traseiro. Ele não olhou para mim. Ficou encarando a cabeça estofada do banco do motorista, sua mandíbula trabalhando, os músculos do maxilar saltando sob a pele. O motorista, o mesmo homem de óculos escuros e expressão vazia, mantinha os olhos fixos na estrada, suas mãos firmes no volante. Ele sabia demais para não saber que aquele silêncio era o prelúdio de uma tempestade. O carro deslizou para uma avenida mais movimentada, fundindo-se ao trânsito. Foi en

