A leveza da noite ainda nos envolvia quando entramos na cozinha. A enorme sala, com suas superfícies de aço e granito, normalmente parecia uma câmara de execução culinária. Mas naquele momento, banhada apenas pela luz suave do abajur sobre a ilha central, parecia... aconchegante. Dante ainda tinha um resto do sorriso fácil nos lábios, aquele que aparecia quando ele ria genuinamente no carro. Ele tirou o casaco de couro, jogando-o descuidadamente sobre um banco. — Você precisa dormir — declarou, como se tivesse acabado de fazer uma grande descoberta médica. — Eu não estou com sono — protestei, subindo em um dos bancos altos da ilha, observando. Era fascinante vê-lo naquele ambiente doméstico, seu corpo grande e letal movendo-se com uma estranha determinação caseira. — Você precisa. O di

