A quietude da casa, antes acolhedora, começou a pesar. O livro perdeu o sentido nas minhas mãos, as palavras se dissolviam antes de alcançarem meu cérebro. O silêncio não era mais pacífico; era opressivo. O peso dos dias confinados, mesmo em uma gaiola dourada e agora com a porta destrancada, apertava meu peito. Dante estava na poltrona oposta, absorto em algo no telefone, mas seu olhar vagava até mim a cada poucos minutos. Ele também sentia a estagnação. Fechei o livro com um baque suave. O som fez com que ele levantasse os olhos imediatamente. — Não consigo dormir — declarei, levantando. — E esta casa está muito parada. Ele franziu levemente a testa, avaliando. — O que você quer fazer? A ideia surgiu completa, impulsiva, carregada de um desejo por movimento, por risco controlado, p

