A luz da manhã entrou no quarto de uma forma diferente. Não como uma intrusa, mas suave, filtrada pelas cortinas como um véu dourado. Acordei com uma sensação que levou segundos para identificar: paz. Não a paz da ausência de perigo, mas a paz de um cessar-fogo genuíno. Meu corpo ainda estava envolto na sua. Durante a noite, nos entrelaçamos de forma mais orgânica, menos desesperada. Seu braço ainda estava sobre minha cintura, mas o peso era confortável, não possessivo. Sua respiração era profunda e regular contra meu pescoço. Movi um pouco, e ele imediatamente apertou o braço, um som baixo de protesto saindo de sua garganta. — Não vai a lugar nenhum — ele murmurou, a voz grossa de sono, mas sem a aspereza habitual. Era quase... brincalhão. — Preciso respirar, você me esmaga — respondi

