O sono, quando veio, não foi um refúgio. Foi um território pantanoso povoado por sombras de garagens, olhos vazios e o som abafado de pele contra pele no banco de um carro. Em um desses despertares, no coração morto da noite, a escuridão era absoluta. O silêncio, tão espesso que eu podia ouvir o sangue correndo em meus ouvidos. Foi então que senti. Não um som. Uma mudança na pressão do ar. O colchão cedeu de um lado, um afundamento profundo e familiar. Ele não fez barulho. Nenhum cheiro de uísque o precedeu. Apenas a presença dele, enorme e quente, invadindo o espaço ao meu lado na cama. Meu corpo inteiro ficou em alerta, os músculos travando. Eu não me mexi. Continuei de lado, de costas para onde ele havia se deitado, fingindo um sono profundo que estava a quilômetros de distância. Os

