A consciência voltou em camadas, como bolhas subindo lentamente à superfície de um lago profundo. Primeiro, o som. Um bip eletrônico, regular, insistente. Depois, o cheiro. Álcool, antiséptico, algo floral artificial tentando disfarçar o resto. Por fim, a dor. Não uma dor aguda, mas uma dor surda, espalhada, como se meu corpo inteiro tivesse sido usado como saco de pancadas. Abri os olhos com dificuldade. A luz era forte demais, branca demais. Pisquei várias vezes até conseguir focar. Teto branco. Paredes brancas. Cortinas brancas. Um quarto de hospital. Virei a cabeça lentamente, o pescoço reclamou, mas obedeceu. Ao meu lado, numa cadeira apertada demais para seu corpo grande, estava Dante. Ele estava irreconhecível. Seu rosto estava marcado por cortes já suturados, um curativo na te

