A consciência voltou em ondas, como a maré subindo devagar numa praia calma. Dessa vez, a luz não era tão agressiva. O quarto estava mais silencioso, o bip dos monitores mais espaçado, como se até as máquinas tivessem aprendido a descansar. Meus olhos encontraram o teto branco, depois deslizaram para o lado. Dante ainda estava lá. Na mesma cadeira, na mesma posição, como se tivesse virado estátua. Mas algo havia mudado. O desespero cru da última vez dera lugar a uma exaustão profunda, e sob ela, uma espécie de paz cautelosa. Ele dormia. A cabeça inclinada para o lado, a boca levemente aberta, as mãos ainda segurando a minha mesmo no sono. O curativo na testa estava um pouco sujo, os hematomas no rosto agora mais roxos do que vermelhos. Parecia um menino grande, apesar de tudo. Não me me

