A manhã da alta chegou com um sol preguiçoso que se arrastava pelas cortinas do hospital. Três dias internada, três dias de exames, de repouso, de comida sem gosto e enfermeiras que entravam no quarto como se fossem invisíveis. Três dias de Dante numa poltrona que definitivamente não foi feita para o corpo dele, recusando a ir para casa, a dormir numa cama de verdade, a comer qualquer coisa que não fosse café r**m da máquina do corredor. O médico, um homem grisalho de óculos finos, entrou com uma prancheta e um sorriso profissional. — Boas notícias, senhorita Elena. Os exames de hoje mostram que a consolidação das costelas está dentro do esperado. A concussão não deixou sequelas. O corte no ombro cicatrizou bem. — Ele olhou para Dante, que estava de pé ao lado da cama como um cão de gu

