O segundo despertar foi solitário e abrupto. A sensação que me puxou do sono profundo não foi a luz, mas o vazio. O espaço na cama ao meu lado estava frio, as marcas do corpo de Dante no lençol já apagadas. O único indício dele era o cheiro no travesseiro e uma dorzinha profunda, agradável, entre minhas pernas, lembrança física das horas da noite e da manhã. Sentei na cama, puxando o lençol contra o peito. O quarto estava em silêncio, banhado por uma luz forte que dizia que a manhã ia avançada. Meu coração deu um salto de pânico quando meus olhos pousaram no relógio digital na mesa de cabeceira. 09:47. O plano de Bianca. O shopping. Às dez. Um frio percorreu minha espinha. Dante tinha uma reunião com Lorenzo às nove e meia. Ele devia ter saído silenciosamente, deixando-me dormir. Um

