81. Dante

917 Palavras

Acordei com o braço dormente e um peso quente no peito. Elena ainda dormia, espalhada sobre mim como um cobertor humano, a respiração calma, o rosto virado pro lado. O curativo na mão dela tava limpo ainda, nenhum sinal de sangue novo. Bom. Fiquei paradinho, sem me mexer, só observando. A luz da manhã entrava pelas frestas da cortina, desenhando listras no cabelo dela. Tava bagunçado, cheio de nós, mas bonito do mesmo jeito. Sempre bonito. Lembrança de ontem veio feito porrada. O carro destruído. Os seguranças. A cara dela quando me encarou no meio dos estilhaços. "Seu idiota." Pois é. i****a. Tinha sido. Mas pelo menos agora tava aqui, com ela inteira no meu peito, o bebê bem, a briga passando. Ela se mexeu, um resmungo baixo, e enterrou mais o rosto no meu pescoço. — Tá me olhando? —

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