80. Dante

929 Palavras

Subi as escadas com ela no colo, sentindo o peso do corpo dela contra o meu, os soluços que ainda sacudiam os ombros de vez em quando. Ela não falava, só enterrava o rosto no meu pescoço e respirava fundo, como se tivesse acabado de correr uma maratona. No quarto, coloquei ela na cama com cuidado, ajustando os travesseiros nas costas. O vestido dela tava sujo de graxa, o cabelo uma zona, a mão cortada em dois lugares do vergalhão. Sangrava um pouco, nada grave, mas o suficiente pra me fazer querer matar alguém. — Fica quieta — falei, quando ela tentou sentar. — Vou chamar a equipe. — Não precisa de equipe. Tô bem. — Sua mão tá sangrando, você acabou de destruir um carro e tem um grão de feijão na barriga. Vai ficar quieta e deixar eu cuidar. Ela me olhou com aquela cara, metade raiva

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