Capitulo 29

943 Palavras
O compasso do desejo A tarde se dissolveu lentamente dentro da suíte. O silêncio confortável que se instalou após o descanso não era vazio — era carregado de uma tranquilidade rara, quase íntima, mesmo sem palavras. Lita havia cochilado por alguns minutos, envolta nas cortinas claras que filtravam a luz dourada do entardecer. Rogério, em seu quarto, permanecera algum tempo olhando a cidade pela janela, sentindo algo que não experimentava havia muitos anos: expectativa sem pressa. Quando o relógio marcou o início da noite, ele respirou fundo, tomou coragem e bateu levemente à porta do quarto de Lita. — Pensei em algo… — disse, quando ela abriu a porta. — Que tal jantarmos fora? Depois, há um bar tradicional aqui perto, música argentina ao vivo… boleros. Os olhos dela brilharam com curiosidade. — Bolero? — repetiu, sorrindo. — Gosto da ideia. — Então… me dê alguns minutos para me trocar. — Também vou precisar — respondeu ela, fechando a porta com um sorriso contido. Lita escolheu cuidadosamente o que vestir. Queria sentir-se bonita, feminina, segura — sem exageros, sem máscaras. Optou por um vestido em tom vinho profundo, de tecido fluido, que marcava suavemente o b***o generoso e descia desenhando o quadril e as coxas com elegância. O decote era sutil, suficiente para valorizar sua beleza exuberante sem perder a sofisticação. A cintura era levemente marcada, destacando suas curvas naturais com orgulho e delicadeza. Nos pés, uma sandália de salto médio, confortável e feminina. O cabelo, agora solto, caía em ondas suaves sobre os ombros, algo bem armado e afro trazendo movimento e sensualidade natural. A maquiagem valorizava sua pele n***a luminosa: olhos levemente esfumados, cílios destacados, um batom em tom quente que realçava seus lábios cheios e expressivos. Ela se olhou no espelho por alguns segundos. Não havia insegurança. Havia presença. Quando saiu do quarto, encontrou Rogério ajustando o relógio no pulso. Ele vestia uma camisa social clara, aberta no primeiro botão, revelando o pescoço firme e a postura confiante. A calça escura moldava suas pernas fortes, e o paletó leve trazia um ar casual elegante. Aos cinquenta anos, carregava uma imponência natural: costas largas, coxas fortes, um leve volume no abdômen que não diminuía em nada sua presença masculina — pelo contrário, trazia maturidade e solidez. O rosto de pele clara, marcado por linhas suaves de experiência, sustentava um olhar atento, firme, mas agora suavizado pela presença dela. Quando a viu, ele ficou em silêncio por um breve instante. — Lita… você está linda. Não era um elogio protocolar. Era genuíno. — Obrigada, Rogério — respondeu ela, sentindo o calor discreto subir pelas bochechas. Acredito que esteja frio lá fora, seria bom levar um casado. Ele disse. Claro vou busca. Para a sua surpresa ela sai com o casado dele nas mão. Espero que esteja tudo bem para você, ela disse. Sem problema, ele respondeu com um sorriso. Desceram juntos. O restaurante escolhido era intimista, com iluminação baixa, velas nas mesas e uma trilha sonora suave que embalava conversas discretas. Sentaram-se próximos à janela, onde as luzes da cidade refletiam como pequenos pontos dourados. O jantar fluiu entre risos, olhares demorados e conversas que iam muito além do trabalho. Falaram sobre sonhos antigos, sobre erros, sobre escolhas que moldaram quem eram hoje. Havia uma escuta verdadeira, uma curiosidade sincera — e isso criava uma conexão silenciosa, quase palpável. Em alguns momentos, o olhar de Rogério repousava sobre o desenho das mãos de Lita, sobre a curva de seu sorriso, sobre a maneira como ela inclinava a cabeça ao ouvir. Ela, por sua vez, percebia a firmeza tranquila dele, a segurança sem arrogância, a forma como sua postura imponente se quebrava suavemente quando sorria para ela. Ele tirou um cacho de cabelo do rosto de lita e jogou por traz da orelha dela, esse ato fez ela se arrepiar. Após o jantar, caminharam algumas quadras até o bar. A música escapava pela porta entreaberta: um bolero argentino, melodia lenta, carregada de emoção e nostalgia. O ambiente era aconchegante, luz baixa, mesas pequenas, pessoas dançando próximas umas das outras, como se o mundo lá fora não existisse. Sentaram-se inicialmente, mas o ritmo da música parecia chamar. — Você dança? — perguntou ele. — Um pouco… — respondeu ela, com um sorriso curioso. — E você? — O suficiente para não pisar muito no pé da parceira. Ela riu. Levantaram-se. A pista era pequena, íntima. Rogério aproximou-se com respeito, colocando uma mão leve nas costas dela. Lita pousou a mão no ombro dele, sentindo a firmeza do corpo, o calor que atravessava o tecido da camisa. O bolero conduzia os passos lentos, quase um balanço suave. Não havia pressa. Apenas proximidade. O perfume dele misturava-se ao dela. A respiração se ajustava no mesmo ritmo. O corpo imponente de Rogério encontrava o corpo exuberante de Lita com naturalidade, como se houvesse um encaixe silencioso, respeitoso, carregado de tensão doce. Os olhos se encontraram. O mundo pareceu diminuir. A música seguia, mas agora era apenas um fundo distante. Havia apenas o espaço mínimo entre os rostos, o calor da proximidade, a respiração compartilhada. Rogério inclinou-se levemente, como quem pede permissão sem palavras. Lita sustentou o olhar por um segundo — e não recuou. O beijo aconteceu devagar. Suave. Cuidado. Cheio de intenção. Um beijo que não buscava urgência, mas confirmação. Um encontro de duas histórias maduras, duas vontades que se reconheciam. Quando se afastaram, os olhos ainda permaneceram conectados, com um sorriso discreto, quase tímido — raro para ambos. Nenhuma palavra foi necessária. Aquela noite não era sobre excessos. Era sobre começo. Sobre permissão. Sobre permitir-se sentir novamente. E ambos sabiam: algo havia mudado para sempre.
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