Capítulo 5

1038 Palavras
Damiano Ricci A noite anterior foi longa e cheia de pensamentos inquietos. Sentei-me à mesa do café da manhã, observando os rostos conhecidos de Donatella e Domenico. Ambos estavam mais animados do que eu, trocando sorrisos e piadas enquanto o aroma do café fresco pairava no ar. Por um momento, a sensação de normalidade me envolveu, mas logo foi interrompida pela lembrança de que a vida de uma jovem mulher agora dependia de mim. Eu havia designado algumas tarefas da manhã para um dos soldados. Havia muitos assuntos a serem resolvidos, mas a mente ainda vagava para o novo capítulo que se desenrolava diante de nós. Como eu poderia lidar com a situação de Serena? Ela ainda era uma incógnita, uma mercadoria que me foi oferecida, mas havia algo mais profundo que me intrigava. A porta do salão se abriu, e Serena apareceu hesitante, quase como uma sombra. Sua presença era delicada, mas havia uma força subjacente que me intrigava. Ela parecia tão pequena e perdida, como se estivesse lutando para encontrar seu lugar em um mundo que a havia rejeitado. Enquanto ela se aproximava, notei seu comportamento cauteloso. Cada movimento dela era quase como se estivesse esperando por um golpe, como se não acreditasse que tinha o direito de estar ali, à mesa. Quando nossos olhares se cruzaram, senti uma onda de compaixão, mas também um misto de curiosidade. O que poderia ter acontecido em sua vida para que ela agisse assim? Durante o café, a timidez de Serena era palpável. Donatella tentava puxar conversa, mas as respostas de Serena eram curtas e pouco envolventes. “Está gostando da comida?” “Sim.” “Como está se sentindo na mansão?” “Bem.” Suas palavras m*l pareciam escapar de seus lábios, e o silêncio entre nós se tornou um peso. Assim que terminamos o café, propus que nos deslocássemos para o escritório. Olhando para Domenico, percebi que ele estava ansioso para fazer perguntas. E eu também. Precisávamos entender a vida de Serena antes de sua chegada. Assim que entramos, fechei a porta atrás de nós, e o ambiente se tornou um espaço mais privado e seguro. — Então, Serena, — comecei, tentando quebrar o gelo. — Fale um pouco sobre você. Como era sua vida antes de tudo isso? — O olhar dela se desviou, como se a simples menção de sua vida anterior fosse uma ferida exposta. Domenico seguiu com perguntas mais diretas. — Você tinha amigos? Escola? — Serena apenas balançou a cabeça. O olhar dela estava fixo no chão, como se estivesse tentando se esconder de nós. — Era… difícil, — ela murmurou. A tensão no ar aumentou. Fui tomado por um impulso de querer saber mais, mas à medida que as perguntas se tornavam mais pessoais, o rosto de Serena foi se fechando. A quietude na sala se tornava opressiva. — Seus pais não se importavam com você?— perguntei, e imediatamente me arrependi das palavras. A expressão dela se contorceu em uma mistura de dor e raiva. — Eles… não eram como vocês, — ela disse, a voz tremendo. Domenico, percebendo a mudança no clima, tentou suavizar a situação. — Todo mundo tem suas dificuldades, Serena. Aqui é diferente, você verá. Não precisa ter medo. Mas o que eu via nos olhos dela não era medo, era desespero. Serena estava se fechando, e eu podia sentir a pressão crescente. — Você sabe porque você está aqui? O que aconteceu com você? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. Ela tremeu, e em um instante, a mulher que estava diante de mim começou a desmoronar. — Pare! Não posso! — Serena gritou, a voz ecoando na sala como um grito de socorro. Em um segundo, todo o seu corpo estava tremendo, e ela m*l conseguia respirar. Donatella, que havia ficado fora da porta, entrou abruptamente ao ouvir os gritos. — O que está acontecendo? — A preocupação em seu rosto era evidente. Ela correu até Serena, que agora se debatia, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Serena! — Domenico gritou , tentando se aproximar, mas a cena diante de mim era aterrorizante. Não tinha ideia de como ajudar. Eu estava paralisado, a expressão de choque estava estampada em meu rosto. Donatella imediatamente se agachou ao lado de Serena, tentando acalmá-la. — Calma, querida. Estou aqui. Respire fundo. Você está segura. Estamos todos aqui por você. As palavras de Donatella eram gentis, mas a realidade de Serena parecia muito distante. Ela não ouvia, presa em sua própria tempestade interna. Sentia-me impotente, como se a vida que ela havia levado fosse uma sombra que eu não poderia iluminar. Olhando para Serena, uma onda de culpa me atingiu. O quanto poderia ter sido a vida dela? O quanto tinha que suportar? O que a havia trazido a este ponto? Essas perguntas ressoavam em minha mente, e eu não tinha respostas. O que fizemos a ela? O que poderia fazer para ajudá-la? A visão dela, em meio ao seu colapso emocional, era um lembrete constante de que a vida não era apenas sobre poder e controle. Havia uma fragilidade, uma humanidade que me fez questionar minha própria posição. Como eu poderia ser o capo e ainda assim ser tão insensível? Donatella continuava a falar com ela, a voz suave como um sussurro. — Você não está sozinha, Serena. Nós estamos aqui. Por favor, não se preocupe. Você é forte. Você vai superar isso. A tensão começou a diminuir lentamente, e eu vi Serena finalmente se acalmar, os olhos vermelhos e inchados, mas sua respiração começava a se estabilizar. O olhar dela encontrou o meu por um breve momento, e por um instante, parecia que ela reconhecia que, apesar de tudo, havia uma saída. Donatella olhou para mim, um pedido silencioso nos olhos, e eu sabia que agora era minha vez de agir. Precisávamos cuidar de Serena, não apenas como uma mercadoria, mas como uma pessoa que merecia compreensão e apoio. — Vamos cuidar de você, Serena — eu disse, e essa decisão se firmou em meu coração. Essa era a minha missão agora. Ajudar uma jovem a encontrar seu lugar neste novo mundo, mesmo que isso significasse enfrentar os fantasmas do passado.
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