Getulio Ajoelhado diante do altar, sinto o peso do passado pressionando meu peito como uma mão invisível. A noite está silenciosa, mas dentro de mim o ruído é ensurdecedor. Dez anos. Dez anos desde que fiz um pacto com uma mulher moribunda que carregava mais veneno que sangue. Maria Luciana Bianchi. Fecho os olhos e a imagem dela surge — fraca, pálida, mas ainda capaz de fitar-me com uma ganância que nem a morte conseguiu apagar. “Seduzir minha sobrinha… fazê-la amar você a ponto de lhe entregar tudo.” Lembro de cada palavra. Do sorriso torto. Da alegria perversa quando eu aceitei. O pacto nunca me orgulhou. Nunca foi santo. Nunca foi limpo. Mas eu era jovem. Ambicioso. E, sobretudo… orgulhoso demais para recuar quando já estava soterrado em sombras. Prometi que cumpriria

