Elisa (o erro que não parece erro — até ser tarde) O cansaço muda a forma como a mente decide. Não de maneira óbvia. Não com impulsividade teatral ou escolhas visivelmente erradas. Ele age de forma mais insidiosa: encurta o tempo entre pensar e agir. Torna aceitável aquilo que, em outro estado, seria imediatamente descartado. É assim que eu erro. Não em um momento de raiva. Não em desespero aberto. Erro em uma tarde comum, cinzenta, quando o peso dos últimos dias finalmente se acumula o suficiente para me fazer desejar — pela primeira vez — não estar sozinha com tudo isso. Estou sentada à mesa da cozinha, cercada por papéis que não deveriam estar ali. O caderno. Anotações soltas. Datas que se repetem. Nomes que agora carregam peso demais para serem apenas nomes. Não estou montando

