Elisa O problema de perder um espaço é que ele nunca vai sozinho. Ele puxa fios invisíveis que só percebemos quando algo mais começa a faltar. Nos dias que se seguem, a exclusão silenciosa deixa de ser um evento isolado e se transforma em padrão. Não há anúncio oficial, nem explicação. Apenas… continuidade. A ausência se consolida como se sempre tivesse estado ali. E isso começa a me desorganizar. Não dramaticamente. Não de forma visível. Mas em pequenas falhas internas — lapsos de atenção, noites m*l dormidas, uma irritação que surge sem aviso. O corpo reage antes que a mente aceite. Vou trabalhar e erro um cálculo simples. Releio um e-mail três vezes e ainda assim interpreto errado. Esqueço um compromisso pequeno — algo que nunca acontecia. Nada grave. Mas recorrente. É assim que

