†Capítulo 45†

1275 Palavras

Elisa Há perdas que não chegam com barulho. Não se anunciam. Não pedem explicação. Apenas se instalam, discretas, como uma mudança de temperatura que só se percebe quando o corpo já está tentando se adaptar. É assim que descubro que algo me foi retirado. Não por comunicado. Não por aviso. Nem por erro explícito. Simplesmente… não está mais lá. Percebo na terceira vez que vou à paróquia naquela semana. A primeira, atribuí à distração. A segunda, à coincidência. Na terceira, não há mais como negar: não me chamam. Passo pelo corredor lateral onde costumava ajudar na organização dos encontros semanais. As portas estão abertas. As vozes são conhecidas. O movimento é o mesmo. Mas ninguém me inclui. Ninguém pergunta se vou entrar. Ninguém acena. Não é hostilidade. É algo pior. Indiferenç

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