Elisa Há perdas que não chegam com barulho. Não se anunciam. Não pedem explicação. Apenas se instalam, discretas, como uma mudança de temperatura que só se percebe quando o corpo já está tentando se adaptar. É assim que descubro que algo me foi retirado. Não por comunicado. Não por aviso. Nem por erro explícito. Simplesmente… não está mais lá. Percebo na terceira vez que vou à paróquia naquela semana. A primeira, atribuí à distração. A segunda, à coincidência. Na terceira, não há mais como negar: não me chamam. Passo pelo corredor lateral onde costumava ajudar na organização dos encontros semanais. As portas estão abertas. As vozes são conhecidas. O movimento é o mesmo. Mas ninguém me inclui. Ninguém pergunta se vou entrar. Ninguém acena. Não é hostilidade. É algo pior. Indiferenç

