Susana dirigiu-se à adega dos D'Aurelia com passos calculados. Era tarde, e o ambiente estava silencioso, com a leve brisa noturna balançando as folhas das árvores. Ela carregava uma garrafa de bebida e dois copos, ciente de que encontraria Filipe ali. A adega era um lugar especial para ele, um refúgio onde costumava se perder em pensamentos. Ao abrir a pesada porta de madeira, viu Filipe sentado em uma cadeira de couro desgastada, segurando uma taça de vinho quase vazia. O ambiente era iluminado apenas pelas luzes quentes das luminárias, criando sombras suaves entre as fileiras de barris e garrafas. Filipe parecia devastado, o olhar perdido no vazio e os ombros tensos. — Filipe? — Susana chamou com uma voz suave, quase tímida. Ele levantou os olhos, surpreso por vê-la ali. — Eu imaginei

