Tal como Carlos havia exigido na noite anterior, Filipe se preparou para estar bem cedo no seu escritório. Ele hesitou por um momento diante da porta do escritório do pai. O peso daquela conversa já o oprimia antes mesmo de começar. Respirou fundo, ajustou o nó da gravata e bateu levemente antes de entrar. — Entre, Filipe. — A voz de Carlos soou firme do outro lado, mas não era um convite; era uma convocação. Ao abrir a porta, Filipe encontrou o pai atrás da enorme mesa de mogno, com o semblante fechado e os olhos fixos em uma pasta de documentos. O ar do escritório parecia mais pesado do que de costume. O cheiro de couro dos móveis e do tabaco que Carlos raramente fumava impregnava o ambiente, misturado com uma tensão quase palpável. — Sente-se. Filipe obedeceu, mas manteve-se tenso n

