Selo

584 Palavras
Melissa teve grande dificuldade de chegar naquele lugar. Primeiro foi a porta, estava escondida e encantada. Com ajuda do poder da terra, que estremeceu o prédio quebrando assim o selo responsável por manter o feitiço ativo. Depois foi achar onde Clara estava, pois, a porta revelava um labirinto sem fim. Era impossível estarem ainda no mesmo edifício. A pequena nuvem a guiava pelos inúmeros túneis, até chegar em uma grande sala cheia de celas. Escutou vozes no final do corredor, olhando para os lados viu um machado preso a parede. O espírito da terra disse para pegá-lo. Munida com o objeto na mão foi caminhando fazendo o mínimo de barulho possível. Parou próximo do lugar e ouviu parte da conversa. Fúria sem igual se apossou dela. O sentimento foi imenso que tomou conta de todo o seu ser. O espírito de Melissa se desliga momentaneamente do corpo. Os espíritos do vento e da terra assumiram o comando. *** Clara viu a garota que acordou com ela no necrotério, munida com um machado e um estranho vento circulando ao seu redor. O corpo-seco André saiu do estupor, em que estava por ser surpreendido pela humana. — Olha, olha, olha. Se não é a v********a do chefe. — Riu debochado. Usando sua velocidade tentou chegar perto dela, mas a garota levantou o braço e com um aceno, um vento o lançou contra a parede. — Levante-se Clara. — A voz desprovida de sentimento, saída da boca de Melissa disse. — Vamos sair daqui. Clara se levantou com dificuldade, além da fraqueza por não comer há dias e os efeitos do colar estavam cobrando seus esforços. — Estou indo. André levantou do chão e deu um longo assobiou. — Onde as vadias pensam que vão? Daqui vocês não irão sair. Melissa girou o machado na mão algumas vezes, e depois o lançou em direção do corpo-seco. O monstro não teve a mínima chance. A lâmina acertou em cheio seu pescoço, separando a cabeça do corpo. Clara viu o corpo do morto vivo escorrendo lentamente até o chão, a parede branca manchada pelo sangue sujo. Antes mesmo que a cabeça tivesse chegado no mesmo destino, ele começou a se transformar em cinzas. Melissa deu passos largos e recuperou o machado. — Temos que ir, não sei quanto tempo conseguiremos nos manter neste corpo. — Clara notou o suor escorrendo pela têmpora da garota, olheiras profundas em seu rosto e seu tom de pele de um chocolate cremoso estava se tornando acinzentado. — Somos os espíritos da terra e do vento e viemos ajudar. — O que eu tenho que fazer? — Preciso que você se concentre em seu poder e arranque o colar do pescoço dela. — Como vou fazer isso? Eu não sou capaz... — Escute — Os espíritos deixaram o machado de lado e pegou os braços da outra menina. — Não temos tempo para você ter dó de si mesma. Você é capaz, tem uma grande força dentro de você. Não é mais a Clara fraquinha e que não podia fazer absolutamente nada. Tome o seu poder em suas mãos e faça algo. Eles tocaram o colar que estava no pescoço de Clara. No mesmo instante correntes de energia percorreriam suas mãos. Ignorando as queimaduras provocadas e utilizando de grande força conseguiram romper com a corrente. Os corpos das duas meninas foram lançados para os lados. Antes de desmaiar Melissa ainda disse: — Você precisa romper o selo dela, ou então as duas estão perdidas.
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