Quando Nicolas chegou na cozinha viu seu celular vibrando, atendeu no segundo toque.
— Sim começou. Estou com a portadora do fogo em minhas mãos. — Nicolas ouviu com atenção. — Não se preocupe vou ter todas em meu poder em breve. Muito antes do dia certo. — Encerrou a chamada e largou o celular de qualquer jeito em cima do balcão. Pegou uma maçã e mordeu, sentindo o gosto azedo do alimento. Ficou surpreso com aquilo. A muito tempo atrás perdeu suas emoções, com isso o prazer de comer uma simples maçã não existia. Sua alma fragmentada só seria inteira quando sua amada estivesse junto a ele. Sentir o gosto da fruta significava que estava mais perto de ter sua Alicia.
Pegou novamente o celular e mandou uma mensagem:
Nicolas: Quero um relatório dos passos das elementais.
Anônimo: Estamos no covil e daqui iremos atrás do mago do fogo, para acharmos a menina do fogo.
Nicolas: Onde está esse mago?
Anônimo: ABC, segundo os silfos.
Nicolas: Espere uma surpresinha. Tente atrasar o máximo possível, até a noite.
Anônimo: Vou ver o que posso fazer.
Nicolas desligou o celular e caminhou para a geladeira bem abastecida. Pegou vários ingredientes e depositou em cima do balcão. Teve que fazer o percurso mais duas vezes. Reuniu tudo para uma omelete, uma salada verde e várias frutas para a sobremesa.
Quando terminou de preparar o alimento, Melissa entrou na cozinha, vestida de jeans escuro e uma camiseta clara, seu cabelo preto em um r**o de cavalo. Nicolas ficou mais uma vez abismado com a beleza dela.
— Achei o lugar pelo cheiro. — Sorriu tímida. — O que eu posso fazer para ajudar?
— Sentar e comer. — Ele apontou para os pratos em cima da ilha na cozinha. — Já está tudo pronto. Fiz omelete e uma salada, não sei o que você gosta de comer. — Deu de ombros se desculpando.
— Omelete está muito bom para mim. — Olhando para salada fez careta, mas sentou em um dos bancos e colocou alguns tomates cereja no prato com a omelete.
— Já vi que verde não é sua praia. — Nicolas sentou em sua frente e pescou os tomates colocando no próprio prato. — Não é a minha praia também.
Ela riu e pegou uma garfada da comida. Fechou os olhos e gemeu com prazer. — Nossa isso está muito bom. Melhor omelete que comi em muito tempo. — Olhou triste para o prato. — Melhor comida sólida que eu comi em muito tempo.
— Ei o que foi? — Nicolas pegou em sua mão preocupado.
— Antes de toda essa loucura eu tinha, tenho leucemia — pegou uma mecha do cabelo nas mãos — Segundo o Draco, meu corpo foi restaurado. Não entendo bem.
— Ele tem razão.
— Você sabe o que aconteceu comigo? — Perguntou com os olhos arregalados.
— Na verdade não. — Nicolas desviou os olhos dos dela e se concentrou em seu prato por alguns segundos. — O processo normal seria: Você Melissa morrer e Draco assumir o seu corpo. Durante alguns dias canalizar energia suficiente junto com os outros elementais e canalizar para poder restaurar o poder da terra.
— Como isso? — Melissa parou de comer para prestar atenção nele.
— No solstício de verão, onde o dia é mais longo. Os quatro elementais se reúnem e liberam esta energia de volta à terra para que assim, mais mil anos a terra seja energizada.
— E onde exatamente fazemos isso?
— Só os guardiões da terra sabem onde fica o cristal. — Ele apontou para o prato com seu próprio garfo. — Coma.
— Guardiões? — Melissa deu uma garfada e mesmo de boca cheia perguntou.
— Cada elemental tem seu guardião. Elemental da água tem os tritões, da terra os lobos, do ar os silfos e do fogo os magos.
— Espera. — Largou o garfo e ergueu as mãos. — Tritões são tipo sereias?
— Sim. Lobos ou Lobisomens. São os transmorfos, se transformam em lobos. E os silfos, são homens pássaros. Corpo de homem, mas possuem asas nas costas.
— E os magos? No que se transformam?
Sorriu sem graça e comeu seu último bocado de omelete. — Em nada. Sou só isso que você está vendo.
Ai que vontade de o abraçar, Melissa observou o rapaz em sua frente, não entendeu os sentimentos contraditórios sentindo, uma hora medo e outra atração, algo dizia a ela que deveria ficar longe dele.
— Um mago do fogo em seu potencial máximo vira fogo puro. Coma.
— Sim senhor — mostrou a língua para ele enquanto comia tudo. — Você disse o processo normal. Por que agora não é normal.
— Porque acredito que Melissa é dona deste corpo e você mencionou o Draco como se fosse uma terceira pessoa.
— Ele estava me chateando na minha cabeça — apontou — Mas agora é só silêncio.
— Eu estive pensando — Levantou e retirou os pratos e os colocou na máquina de lavar, da geladeira pegou uma tigela de frutas cortadas que deixou gelando e trouxe para ela, pegou dois garfos e entregou um e manteve o outro para si. — O fato de você e Draco estarem habitando o mesmo corpo, deve estar enfraquecendo os poderes dele.
— Você acha?
— Sim. Você usou Ignis Draconem por pouco tempo e desmaiou por horas.
— Draco pediu para assumir meu corpo, eu estava cansada e deixei. — Deu de ombros agarrando a corrente e brincando com o pingente.
— Gostou do presente?
— Foi você que me deu? — Olhou para o coração vermelho e sorriu para ele — É lindo, obrigada.
— De nada. — Ofereceu uma uva para ela que pegou com os lábios. — Vocês chegaram muito cedo também. Hoje é dia dezoito de novembro e o solstício de verão é só dia vinte e um de dezembro.
— Hoje é dia dezoito?
— Sim. Até a meia noite — Ele olhou para o relógio na parede. — Falta algumas horas ainda para isso.
— Então parabéns para mim — deu de ombros pegando um morango.
— É seu aniversário?
— Vinte e oito anos de pura gostosura — Quase engasgou com o olhar quente que ele lançou sobre ela.
Nicolas levantou da cadeira, deu a volta na ilha e se aproximou dela. — Parabéns pequena, que muitos outros anos venham. — Foi dar um beijo no rosto dela, ao mesmo tempo que ela virava e acabou dando um selinho em sua boca. Aproveitando da situação ele a tomou nos braços e aprofundou o beijo. A tomando com vontade, descarregando mil anos de saudade e desespero. Melissa o agarrou como se fosse uma tábua de salvação se entregando de corpo e alma a ele.