Polo Químico ABC Parte1

1074 Palavras
As motocicletas costuravam por entre os carros em alta velocidade, o trânsito de São Paulo começava a se formar. Adam liderava o cortejo de motos, em sua garupa levava Karen agarrada em sua cintura, olhava como se transformava em borrões as inúmeras favelas, armazéns, galpões, cortiços e estabelecimentos comerciais decadentes que margeava a famosa Avenida do Estado. O plano era simples, os silfos usariam sua invisibilidade para poder achar o mago dentro da fábrica, enquanto os outros aguardavam do lado de fora. Assim que o localizarem, se juntaria a eles e juntos iriam buscar a elementar do fogo. Simples, entrar e sair. Foi isso que Adam disse, mas ele sabia que lá no fundo nada era tão fácil, ainda mais porque não sabia ao certo com quem estava lutando. Na noite anterior no IML, os corpos-secos que os atacaram estavam muito organizados, geralmente tinham alguém muito poderoso por trás. Entraram no município de Santo André e seguiram viagem até a divisa com Mauá onde fica a sede da Braskem. Começariam por aquela e iam progredindo até encontrar o mago. Adam estacionou sua moto em um morro mais afastado do complexo, de onde estava tinha a vista da maior parte da estrutura da petroquímica. As árvores no local garantiam a proteção para as motos. Assim que todos estacionaram e estavam fora da moto começou a dar ordens. Separou seus homens em grupos, para que cada grupo cercasse os quatro cantos. Cinco dos silfos foram em busca do mago enquanto Lucas ficou para trás, fazendo a segurança de Liz. — Você não precisava ficar para trás — se queixou Liz. — A prioridade dos silfos sempre será a elemental do ar. — Lucas cruzou os braços e olhou para ela. — Veja — apontou para Adam — Ele também não foi junto, pois sabe que sua prioridade é sua elemental. — Fico me sentindo um estorvo. — Que tal treinar suas habilidades enquanto esperamos? — Eu não tenho habilidades nenhuma. — Liz olhou para baixo enquanto sentia seu rosto esquentar. — Você está errada. — Lucas pegou na mão dela e a levou até uma árvore ali perto, aguardou-a sentar. Liz cruzou as pernas e ficou observando o alto e lindo loiro em sua frente, curiosa para saber o que iria fazer. — Você tem o elemento mais abundante, ele está por todo o lugar. — Lucas ergueu os braços em exemplo — O fogo pode ser destrutivo, mas com a ajuda do ar ele é cem vezes mais. Na água os terrestres, não podem respirar, mas se você se concentrar, é capaz de criar bolhas de ar. — E assim podemos respirar de baixo da água — Liz sorriu encantada. — Exato. Para tudo isso, você precisa aprender a manipular o ar. — Como eu faço isso? — Quero que você feche os olhos e se concentre. — Está bom. — Você irá encher o seu pulmão de ar e soltar aos poucos. Sua respiração deve ser mais lenta e profunda com as pausas inspiratórias e expiratórias, livre, leve e natural, por isso você vai usar os músculos da barriga. — Lucas tocou um pouco abaixo dos seus s***s para demonstrar o ponto — Quero que você lembre de como fez para ver os seres sobrenaturais, livres de todos os barulhos ao seu redor. Liz fez aquilo que foi mandado, levou alguns minutos para abstrair tudo que estava ao seu redor e se concentrar em sua respiração. “Megaliz” — chamou uma voz. “Quem me chama?” “Sou Aquila, seu elemental” Liz viu em seus pensamentos uma grande águia cinza vindo ao seu encontro. Ela se encontrava em um espaço escuro totalmente vazio e a águia era a única coisa que iluminava o local. Aquila circulou Liz com suas grandes asas e pouso a seus pés. A forma de pássaro dele foi se transformando até aparecer um homem. Ele era alto, seu dorso coberto por estranhos rabiscos. Diferente dos silfos, que as asas ficavam nas costas, a dele era uma extensão de seus braços. “Ouça menina com muita atenção. O seu grupo corre grande perigo. Avise a meu filho que Jinn está a caminho e a única pessoa que pode nos salvar está quebrada”. “Quem é essa?” — Liz começou a ficar nervosa, devido a isso, a sua concentração estava ruindo e a imagem de Aquila tremulava. “A elementar da água. Ela precisa acreditar em si mesma e só assim irá se conectar com o seu elemental”. “Matar, destruir, aniquilar” — Liz começou a ouvir várias vozes repetirem essas palavras. “O vento está trazendo as vozes deles para você, peça para o meu filho a ajudar com a outra menina, se ela não se conectar com seu elemental, vocês estão perdidos”. Liz abriu os olhos repentinamente, seu corpo tremia. Ao redor dela o vento fazia um pequeno redemoinho. E em seus ouvidos os Jinns repetiam as palavras. — Lucas eles estão vindo. — Liz levantou de um salto seguido de Lucas. — Quem são eles? — Aquila disse que os Jinns estão vindo. Lucas fechou a cara e retirou suas espadas de trás das costas. — Eu quero que você fique atrás de mim... — Não. Precisamos ajudar Clara. — Liz, minha prioridade é você... — Escuta! — Liz gritou para ele, a ventania aumentou. Todos que se encontravam no vale sentiu os ventos mudarem. — Você precisa ajudar Clara a se conectar ao elemental dela ou então todos nós estaremos perdidos. — Algum problema aqui? — Perguntou Adam ao chegar em uma distância segura do casal. — Liz disse que tem Jinns vindo em nossa direção. — p**a que pariu. — Adam arregalou os olhos e puxou Karen para mais perto dele. — O que é um Jinn? — Karen perguntou. — São criaturas que se transformam em qualquer coisa ou dão a vida a qualquer objeto inanimado. — Lucas começou a explicar. — O nosso grande problema é que eles têm o corpo igual, por falta de explicação melhor, de fumaça. — Sendo assim são imunes a tudo. — Completou Adam. — Menos a água. — Contradiz Lucas. — Os Jinns são feitos de ar e fogo. A terra é sólida e passa por eles, sendo assim o único elemento que pode deter eles, é a água. Todos olharam para Clara, que abraçou o próprio corpo.
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