— Adam. — Liz chamou a atenção do líder dos lobisomens. — Você precisa manter Clara e Lucas protegidos. — Ela olhou feio para o silfo e ele permaneceu com a boca fechada. — Clara. — Foi até a menina e parou em sua frente. — Você é a única que pode nos ajudar, eu sei que você e seu elemental estão separados. — Clara iria falar, mas Liz ergueu a mão pedindo silêncio. — Não temos tempo para seu teatro agora, você vai deixar Lucas te ajudar a se conectar, enquanto isso vamos manter os Jinns afastados o máximo que pudermos.
— Escuta loirinha...
— Adam. — Karen o interrompeu. — Faça o que ela disse.
Neste momento uma grande explosão foi ouvida no polo petroquímico, seguido por uma sirene. Uma coluna de fumaça subiu rapidamente aos céus.
— Não temos muito tempo. — Liz foi para o lado de Karen. — Iremos fazer um círculo e protegerem os dois a qualquer custo.
Adam ia protestar mais uma vez, mas olhou para os olhos da loirinha e viu um lampejo verde passar por eles. O mesmo viu nos olhos de Karen só de cor marrom.
— Vocês ouviram a loira. — Adam gritou para seus homens. Tirou as espadas prateadas de suas costas. — Vocês duas eu quero dentro do círculo também e não é negociável.
— Karen. — Liz apertou a mão da ruiva. — Quero que você se concentre, tente ao máximo abstrair tudo que tem a seu redor falei com o seu elementar. — Karen balançou a cabeça afirmativamente às duas seguraram as mãos e se concentraram por um instante.
Os lobisomens formaram um círculo em volta deles, desembainharam suas espadas e aguardaram. Lucas caminhou até Clara e sentou em sua frente. Indicou para que ela fizesse o mesmo.
— Isso é besteira... — A garota começou a falar.
— Não é. E você vai levar a sério o que vou falar e vai fazer o que eu mandar. — Repreendeu Lucas. Ele a ensinou os exercícios de relaxamento e de respiração.
Clara se sentia uma inútil como sempre. De olhos fechados pode ouvir quando Liz gritou que os Jinns tinham chegado. O som das espadas, os gritos horrendos das criaturas. Sentiu a terra embaixo dela tremer quando Karen gritou um comando, o frio gelado do ar em sua voz. O praguejar de Adam. Ela não conseguia se concentrar.
— Eu mandei você se desligar, garota. — Disse rispidamente Lucas
— Eu estou tentando.
— Está mesmo? Porque eu acho que não. Deixa de ser medrosa, limpe sua mente e entregue seu espírito.
— Não sei fazer isso. — Suas mãos se fecharam em punhos. Ao longe outra explosão foi ouvida. A cacofonia de som de batalha ao seu redor estava a deixando ainda mais nervosa. Sentiu mãos em seu ouvido e deu um salto no lugar.
— Vou tentar abafar o som, mas você tem que se esforçar ou então vamos morrer.
— Você acha que não estou tentando? — Clara abriu os olhos e afastou as mãos dele. — Você acha que quero ser a fraca no grupo, a garotinha que tem que ser protegida por todos? Eu não quero ser fraca. — Ela gritou e bateu a mão na terra.
Clara olhou ao redor e viu várias sombras em forma de homens com dentes afiados e espadas, lutando contra os lobos, eles cortavam a matéria escura ou fumaça. Os Jinns se desfaziam e se formavam de novo. Um grande lobo de terra corria em círculo ao redor deles mordendo aquelas coisas. Junto com ele um redemoinho girava e onde passava levava mais sombras. Porém, era um esforço em vão. Nada era o suficiente.
— Todo mundo vai morrer e a culpa vai ser sua. — Acusou Lucas.
Clara olhou para ele com ódio no olhar. — Em primeiro lugar eu não pedi para estar aqui. — Lágrimas se formaram em seus olhos.
— É? Ninguém pediu e olha suas amigas lutando com bravura para te defender. Não quer ser mais fraca? Então lute. — Olhou com soberba no olhar. — Pare de sentir dó de si mesma. Liz acredita em você. Todos aqui estão te protegendo porque acreditam em você. Agora só falta você acreditar em si mesma. Pare de chorar, vamos tentar mais uma vez.
Clara enxugou as lágrimas com a mão e fechou os olhos. Sentiu o toque do silfo em suas orelhas e forçou a se concentrar. Deixou o ar entrar pelo nariz e sair pela boca. Limpou a sua mente e sentiu algo de leve. O barulho de uma correnteza. Mas assim que veio, foi embora com rapidez. Ela sentiu raiva.
“Sempre quando estou perto de conseguir algo, isso escapa por entre os dedos”, ela se recriminou em pensamentos. Em sua mente, a imagem de um grande lago se formou. Caminhou até ele e tocou as águas. “Porque não posso ser forte como as meninas?”
“Você quer ser forte?” —uma voz perguntou.
Olhando para todos os lados e não viu ninguém. Clara olhou para o lago e uma grande carpa dourada nadava tranquilamente nas águas.
“Você quer ser forte?” —perguntou outra vez.
“Sim eu quero” —respondeu Clara olhando hipnotizada para o peixe.
“Tem certeza?” — outra voz perguntou e um segundo peixe apareceu no lago nadando em sentido ao contrário do primeiro.
“Tenho sim. Eu quero ser forte” —Respondeu Clara convicta.
“Por quê?” — as vozes perguntaram em uníssono.
Clara parou para pensar um instante. “Não quero ser fraca e uma decepção para todos”.
“São bons motivos, mas não podemos lhe dar nossa força”.
“Por quê?” — Clara sentiu lágrimas escorrer pelo rosto, com raiva limpou-as. “Mas que Droga! Meus amigos precisam de mim. Eles vão morrer se eu não ajudar. Vocês precisam me dar seu poder para que eu possa vencer os Jinns”
“Salvar seus amigos é mais importante do que o que os outros vão pensar sobre você?”
“f**a-se o que vão pensar de mim. Prefiro encarar a decepção deles do que seus corpos mortos”. — Clara gritou. Neste momento o lago brilhou e ela abriu os olhos.
Com as duas mãos bateu na terra e disse:
— Rutilus. — Vários gêiseres de água surgiram do chão. Clara levantou, com as mãos comandou os feixes de água para atacar cada um dos Jinns. Quando a água explodia os corpos negros, estes formavam uma massa como se fosse lama e não conseguiram se recompor.