Pré-visualização gratuita Capítulo 1
- Nosso voo é daqui a três horas e você ainda não levantou da cama. Quer um balde de água fria em sua cabeça para lhe ajudar a despertar, madame? – brincou Adam enquanto abria as cortinas da janela.
- Me deixa curtir minha cama e os ares de Londres só mais um pouquinho, por favor! – Sophie colocou o travesseiro em seu rosto.
- Eu sabia que não era uma boa ideia ficar na balada até as quatro horas da madrugada. Você não é noturna, não tem mais dezoito anos e sabe disso – sentou na beira da cama e puxou o travesseiro que cobria o rosto de Sophie, revelando sua cara emburrada.
- Eu só queria levar uma boa lembrança desse lugar que tanto amo! – disse fazendo bico.
- Querida, você não está indo para a forca e voltaremos em breve, lembra disso?
- Mas por que será que tenho a sensação de estar indo para a forca? Me explica! – retrucou sentando na cama – Parece que aquele lugar não foi feito para mim... ou melhor, eu não fui feita para ele. Não é à toa que fugi de lá assim que tive a chance.
- Amiga, entendo que você odeie aquele lugar. Eu mesmo não gosto muito. Nada ali me atrai, nem mesmo aqueles boys maravilhosos e sarados que encontramos lá... – falou fingindo se abanar com calor e se aconchegando ao lado de sua amiga – Mas o fato é que você não está indo para uma colônia de férias. Existem responsabilidades que estão lhe esperando.
- Minha última ida a Chicago não foi uma das melhores – baixou a vista, evitando encarar o amigo – e achei que não fosse necessário largar tudo aqui e ir passar uma temporada lá novamente. Qual o propósito disso? Será que não posso continuar cuidando da minha vida distante de tudo aquilo?
- Vamos por partes: o propósito é realizar o último desejo de seu pai – a frase saiu da forma mais severa que ele esperava – Existem questões judiciais que você precisa ir lá resolver pessoalmente, lembra? Tem a leitura do testamento e você é a única herdeira da herança que ele deixou. Por tanto, você irá assumir os negócios da família. Vai responder a um Conselho e só quero lhe lembrar que seu avô faz parte deste Conselho e não irá deixar você fazer o que quer assim tão facilmente – levantou-se da cama pensativo – Pode tentar trazer o escritório para cá, estou pensando aqui... acho que você consegue, se mostrar que está disposta a somar. Se apresentar um projeto que de fato vise expandir os horizontes da empresa, você vai conseguir apoio de todos e voltamos para Londres. Mas a questão principal: você quer estar ligada aos negócios de sua família?
- É muita informação para a minha cabeça e ainda não consegui entrar em órbita. - levantou da cama – Vou tomar um banho e um café fortíssimo... talvez eu consiga acordar e continuamos esse papo – Sophie saiu do quarto rumo ao banheiro para um banho que não poderia ser demorado, mas que deveria acordá-la.
***
As malas já estavam prontas há três dias e apenas aguardando a tão indesejada viagem a Chicago que aconteceria em menos de duas horas. Sophie já havia entrado em todos os cômodos do apartamento que dividia com seu melhor amigo, Adam, desde que chegaram em Londres, há quase dez anos atrás. Um sentimento de nostalgia a invadia e controlava sua vontade chorar todas as vezes que lembrava da viagem.
- Lembra quando compramos esse apartamento? – ela disse com os olhos marejados.
- Lembro como se fosse ontem. Tantos sonhos, tantos planos... já realizamos quase tudo. Mas ainda falta você saltar de bungee jump – ambos soltaram uma gargalhada.
- É verdade. Estou devendo. Vamos fazer isso quando voltarmos.
- Estamos atrasados, Sophie – Adam pôs a mão em seu ombro, trazendo-a de volta à dura realidade que ela vinha evitando.
- Tudo bem. Vamos. – Respirou fundo e deu a mão ao seu amigo. Saíram juntos do apartamento, em direção ao aeroporto, rumo a um futuro incerto. O clima lá fora era frio e dava aquele aspecto sombrio de filme de terror, o que fez novamente Sophie ter aquele pensamento de estar caminhando para a forca.
***
Há quase dez anos atrás, Sophie mudou-se para Londres com seu amigo Adam. Entre outras coisas o plano era se afastar dos holofotes que sempre estavam sobre sua família milionária e levar uma vida modesta em seu apartamento em Londres junto ao seu melhor amigo. Sem se preocupar com a opinião alheia.
Queria viver a mesma vida boemia que levava em Chicago, mas isso significava que precisava viver longe de seus pais. Sua família ficou em Chicago, lugar que Sophie não gostava nem de ouvir falar. No entanto, há quase dois meses, seus pais foram vítimas fatais de um acidente de trânsito e tal acontecimento comprometeu todos os seus planos de permanência em Londres.
O sonho era abrir seu Studio de fotografias e fazer o seu nome longe dos escritórios da MIller & Davis Associados. A necessidade de provar a si mesma que era capaz de construir algo do zero a fez sair de sua terra natal e alçar voos mais altos. Não deu muito certo; seus negócios não andam muito bem financeiramente, mas nada impede Sophie de continuar tentando mesmo mergulhada em dívidas.
A herança que vai receber veio em um bom momento, mesmo ela sabendo que as circunstancias que a levaram a receber a fortuna de seus pais não é uma das melhores. No entanto, sabia que era um direito seu, do qual não abriria mão. Sabia o quanto seus pais se esforçaram para conquistar tudo aqui. Não fossem as dívidas, Sophie não ligaria para a grana, mas a situação está realmente difícil e ela precisa se reerguer. Hipotecou seu apartamento – único bem – para que não chegasse a falência.
Os pais de Sophie comandavam uma firma de investimentos imobiliários há décadas; uma das mais conhecidas em Chicago, com clientes muito influentes e emprega mais de 200 funcionários em todo Illinois, nos Estados Unidos.
Sophie é filha única e não está em seus planos aumentar a família. Segundo ela, não há espaço em sua vida para outras pessoas, mas se tiver de acontecer, irá acontecer no momento certo.
***
O voo demorou apenas o necessário, sem atrasos. Logo chegaram ao Aeroporto Internacional O’Hare, onde Sarah, a advogada de seus pais os aguardava para levar para a mansão da família. A noite já estava dando os seus primeiros sinais quando chegaram ao saguão de desembarque.
Assim que os avistou, foi ao seu encontro. Sarah deu as boas-vindas aos dois com abraços calorosos e logo seguiram seu destino. Durante todo o trajeto, conversaram sobre vários assuntos aleatórios.
Ao chegarem à mansão, Sophie relembrou o mesmo sentimento de sempre: ela achava aquela mansão assustadora, principalmente ao cair da noite. Tudo nela era sombrio e remetia ao passado. Talvez a estrutura antiga lhe desse a impressão de estar dentro de um romance de época ou um dos livros de terror que lera na adolescência.
***
Já se passavam quase dois meses desde que havia estado em Chicago pela última vez, quando teve de se despedir de seus pais, no enterro duplo. Mas parecia que tinha sido em outra vida.
Seu avô não estava mais na mansão. Se recusava a permanecer ali sem o seu filho mais velho, o pai de Sophie. Preferiu se instalar na casa de seu filho caçula e permanecer lá mesmo. A leitura do testamento estava marcada para dois dias depois, no período da tarde e Sophie ficou grata por ter tempo de descansar da longa viagem.
- Pedi que preparassem um quarto para você também, Adam. – disse Sarah.
Sophie e Adam se entreolharam e ele quase pôde ouvi-la implorando para que ficasse ali também e decidiu ficar junta à sua amiga.
- Obrigado. Não precisava se incomodar – agradeceu.
- Precisava sim. Você é meu fiel escudeiro e tem que ficar por perto. Não posso passar por isso sozinha. – Arrastou o amigo pelo braço e ambos entraram na mansão quase vazia, não fossem os funcionários.
***
Depois do jantar, Sophie e Adam, mesmo exaustos da viagem, aproveitaram o raro momento de privacidade depois que Sarah foi embora, para conversar um pouco.
- O que tá achando de tudo isso? – ela perguntou.
- Você quer a resposta sincera ou aquela que não vai te deixar com pulga atrás das duas orelhas? – Adam perguntou e pela pergunta, Sophie já entendeu que seu amigo estava desconfiado demais.
- A sincera, sempre.
- Bom... acho tudo aqui muito sinistro. E a advogada toda cheia de gentilezas me deixa muito desconfiado. Porém, entendo que ela está fazendo tudo isso porque tá pegando uma boa grana com seus honorários. Mas não consigo deixar de acha-la uma falsa. Tem algo nela que não consigo engolir, sabe?
- Sempre tive os dois pés atrás com ela. Também acho ela uma falsa. É advogada da família há anos. Cuida tanto dos negócios pessoais quanto empresariais.
- Vamos sobreviver a tudo isso e ir embora o quanto antes. Mas antes, não esqueça que precisa impressionar seu avô.
- Vai dar tudo certo!
- Vai sim!
- Quer fazer alguma coisa antes do bendito dia da leitura do testamento?
- Sinceramente? Quero encher a cara, meu amigo.
- Então faremos isso!
- E gostaria muito que você estivesse comigo. Não é como ir ao cinema, mas não consigo imaginar outra pessoa para estar ao meu lado nesse momento.
- Claro! Acha mesmo que eu te deixaria sozinha nessa. Nunca!
Mesmo com todo o cansaço, os dois não conseguiam descansar. Não conseguiam desligar suas mentes. Eram tantas emoções vindo a tona com o retorno àquela cidade, àquela mansão que era impossível focar no descanso após a longa viagem. Ficaram ali, em silencio, no escuro da sala com sempre faziam quando eram mais jovens.
Adormeceram ali, sem nem perceber. Acordaram quando o dia já estava clareando.
- Sophie! Vocês dormiram aqui na sala? – perguntou seu avô, incrédulo.
Sem entender nada, ainda sonolenta, Sophie levantou sua cabeça que estava repousada no peito de Adam:
- O quê? Acorda, Adam. – Sacudiu o amigo – Pegamos no sono.
- Vocês estão horríveis. – Continuou o avô.
- Vovô! – Quando finalmente conseguiu enxergar, levantou-se imediatamente e correu para abraçar seu avô.
- Como você está, minha querida?
- Tentando sobreviver a tudo isso.
- Bom, só passei mesmo para saber se chegaram bem. Estou indo para o escritório. Se quiser passar lá mais tarde, me ligue. – Falou enquanto beijava Sophie no rosto e se despedia dos dois. – Subam e vão descansar no quarto. Precisam ajustar o sono de vocês.
- Obrigada, vô! Até mais tarde.
Os dois subiram para seus quartos para finalmente descansar por pelo menos algumas horas. Agora Sophie estava totalmente desperta, pensativa com a tal leitura do testamento. Não estava preocupada se o pai deixou algo para ela. A preocupação era de ele ter deixado. Isso significava uma mudança dramática em sua vida e ela não estava disposta a isso.
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Prezados Leitores,
Peço que leiam com atenção este pequeno texto.
Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, mas se você decidiu ler, peço que atente às notas finais que serão deixadas no término dos episódios.
Faço um tratamento de saúde e por essa razão, demoro um pouco mais que o normal para revisar os livros. No entanto, sempre deixo uma mensagem no final do episódio indicando quando estará atualizado para que vocês não gastem moedas desbloqueando um episódio que não está pronto para ser lido.
Escrever me ajuda a esquecer um pouco todo o drama que estou vivendo, mas ultimamente, devido a esses comentários, estou repensando se vale mesmo a pena continuar. Não estou pedindo elogios; estou pedindo um pouco de empatia. Apenas isso.
Não vai doer nada em você se precisar esperar alguns dias até sair o próximo episódio revisado
Estou escrevendo essa mensagem a vocês porque estou cansada de receber tantos comentários tóxicos. Todos os dias tem alguém deixando um comentário grosseiro a fim de me ofender ou diminuir o meu trabalho.
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