Falcão narrando O sol de Rio de Janeiro não pede licença; ele invade o quarto atravessando as frestas da persiana como se fosse um interrogatório, mas a luz que realmente estava me queimando a vista era a da tela do meu celular. Eu não tinha pregado o olho direito, virando de um lado para o outro na cama, com a mente trabalhando em uma rota que eu não queria seguir. Eu desbloqueei o aparelho pela centésima vez e lá estava ela: a russa. A foto da Caterine, aquela que eu tinha conseguido interceptar de um dos arquivos que circulavam nos grupos restritos da alta cúpula, parecia um ímã para os meus olhos. Tinha uma pureza ali que não batia com o ambiente da boate, um desespero camuflado por camadas de maquiagem cara que só quem vive no limite consegue identificar. Aquela mulher não era só mai

