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1105 Palavras

Beatriz narrando A gente fica ali em cima por horas. Horas mesmo. Conversa que vai e volta, risada solta, silêncio confortável. Em algum momento, aparece um hambúrguer embrulhado em papel, desses simples, cheiro forte de gordura e molho. Eu olho, desacreditada e rio. — Olha pra mim — digo, dando a primeira mordida. — A Beatriz, tomando vinho caro e comendo podrão no alto do Vidigal. O molho escorre pelo dedo e eu limpo rindo, sem a menor cerimônia. Tem gosto de passado. De coisa que eu não como mais. Minha vida virou mesa posta, guardanapo de pano, prato bonito. Luxo. Tudo impecável. Mas aquilo ali… aquilo é liberdade. — Você come como se tivesse saudade — ele comenta. — E tenho — respondo, sincera. — Não da fome. Do riso fácil. A gente ri junto. Eu como sem culpa, com vontade, senti

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