Caterine Narrando A batida na porta foi leve, quase educada demais para aquele prédio antigo. Meu coração disparou antes mesmo de eu me levantar. Caminhei até a porta com cuidado, pisando devagar para não acordar minha mãe. Ela dormia profundamente, o corpo frágil encolhido sob os cobertores, respirando com dificuldade, mas estável. Aquilo me deu forças. Abri a porta. Olga estava ali. Elegante, impecável, envolta em um casaco que custava mais do que tudo que havia dentro da minha casa. Ainda assim, seu olhar não demonstrava desprezo. Apenas atenção. Uma atenção intensa, quase clínica. — Boa tarde, Caterine — ela disse em voz baixa. — Espero não estar atrapalhando. — Não… — respondi, abrindo espaço para ela entrar. — Minha mãe está dormindo. — Melhor assim — disse, entrando com cuidad

