Falcão Narrando Continuei andando pela casa, mas agora já não era só leitura de negócio. Era incômodo. Era coisa fora do lugar demais para passar batida. Um funcionário cochichando no canto errado, uma porta que deveria estar aberta e não estava, um segurança atento demais ao corredor do fundo. Tudo funcionando, tudo rendendo — e, ainda assim, alguma coisa ali estava podre. O choro voltou. Mais baixo agora, quase como se alguém estivesse tentando engolir o próprio desespero. Parei de novo. Dessa vez, virei de frente para o gerente. — Abre essa porta — falei, simples. Ele travou. Literalmente. O corpo inteiro dele endureceu antes mesmo de responder. — Senhor Montenegro… isso não é possível. — Eu não pedi opinião — retruquei, mantendo a voz baixa. — Pedi pra abrir a porta. O choro

