Vitório narrando O cheiro da pólvora ainda estava impregnado nas cortinas de veludo do camarote, um rastro amargo que parecia debochar da minha cara na frente de homens que movimentam milhões de dólares. Eu fiquei ali, parado, sentindo o sangue pulsar nas minhas têmporas com tanta força que a minha visão chegava a latejar nas bordas. O silêncio que se seguiu ao tiro do Nathan e àquela saída cinematográfica dele foi pior do que o barulho da bala; foi o silêncio da minha autoridade sendo estraçalhada pelo moleque que eu mesmo criei, pela minha própria carne que resolveu brincar de herói de favela na hora de fechar o maior negócio da temporada. Eu olhei para o buraco no teto e depois para o salão, onde os gringos ainda me encaravam com aquela mistura de medo e desconfiança, e senti uma vonta

