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1380 Palavras

Caterine narrando Eu olhava para o espelho do camarim e não conseguia reconhecer a mulher que me devolvia o olhar, porque aquela maquiagem pesada e aquele vestido que mais parecia uma armadura de cristais tinham engolido a Caterine que eu conhecia. A Olga tinha ficado em cima de mim o tempo todo, com aqueles dedos frios ajeitando o decote e dizendo que eu era o investimento mais caro do ano, enquanto as outras meninas passavam perfume e riam como se estivessem se arrumando para um baile de formatura e não para um matadouro de luxo. Cada vez que uma delas falava em "agradar o cliente" ou "garantir a comissão", eu sentia uma pontada no peito, uma percepção tardia e c***l de que os meus sonhos de uma vida melhor no Brasil tinham sido enterrados sob camadas de seda e promessas vazias. Eu não

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