Beatriz narrando Eu sentia o couro do banco da Pajero frio contra as minhas coxas, mas o meu corpo era um vulcão. Olhar para a cara do Renato — o Galã, o homem que todo mundo no morro respeita e teme — e ver aquele brilho de puro desejo, de quem está com fome de mim, era a melhor droga que eu já tinha experimentado na vida. Vitório acha que eu sou cega. Acha que eu sou a esposa troféu que fica em casa bordando enquanto ele e a Olga resolvem a vida entre lençóis de seda e sangue. m*l sabe ele que eu sinto o cheiro do perfume dela no paletó dele todo dia. Eu me faço de morta pra sobreviver, mas essa noite, eu decidi que queria viver. E viver pra mim, agora, tinha nome, sobrenome e um fuzil descansando no painel. — Eu não quero saber de lugar nenhum, Renato — eu disse, minha voz saindo num

