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1371 Palavras

Caterine narrando O som dos saltos altos batendo no mármore ainda ecoa na minha cabeça como se fossem tiros. Eu sinto o meu corpo flutuar, mas não é uma sensação boa; é aquele tipo de dormência de quem está em choque, de quem viu o abismo de perto e sentiu o hálito dele. Minutos atrás, eu estava sob luzes neon, com centenas de olhos me despindo, me pesando, me precificando como se eu fosse um pedaço de carne num balcão de açougue de luxo. Agora, o silêncio do corredor é interrompido apenas pelo barulho pesado das botas dos dois seguranças que me escoltam. Eles não falam. Eles não olham pra mim. Eu sou apenas um objeto que precisa ser guardado na gaveta certa antes que o dono sinta falta. — Entra. — O maior deles resmungou, abrindo a porta pesada de madeira escura. Eu dei um passo para

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