Caterine Narrando Eu estava deitada, mas meus sentidos estavam em carne viva. Cada fibra do meu corpo parecia sintonizada com os sons daquela casa maldita. O silêncio era uma armadilha, uma ilusão de paz que eu sabia que não duraria. E eu estava certa. O som foi sutil, mas para mim soou como um trovão: o clique seco da fechadura eletrônica sendo liberada. O meu coração deu um salto, batendo contra as costelas como um pássaro desesperado em uma gaiola. A porta se abriu devagar, e a silhueta alta e imponente dele cortou a luz que vinha do corredor. Vitório. Ele entrou com a confiança de quem não pede licença para entrar no próprio inferno. Ele não acendeu a luz principal, apenas a luz indireta do abajur, que banhou o quarto com um tom amarelado, denso e perigoso. Eu me levantei num salto,

