Catherine Narrando Quando a porta abriu de novo, eu achei que fosse mais um segurança. Mais um tapa. Mais ameaça. Mas não era. Primeiro entrou a luz do corredor, cortando a escuridão do quarto como uma lâmina fina. Depois, a silhueta dele. Alto, postura reta, camisa impecável, relógio que valia mais do que tudo que eu já tinha possuído na vida. Atrás, Olga. Sempre ela. Sempre com aquele olhar de quem acha que está acima de todo mundo. Mas não foi Olga que prendeu o meu olhar. Foi ele. Ele me viu encolhida no canto, com o rosto inchado de chorar, e não desviou. Não teve piedade no olhar, mas também não teve nojo. Tinha… análise. Como se estivesse avaliando uma obra de arte danificada no transporte. Meu coração disparou. — Спаси меня… пожалуйста… (Me salva… por favor…) — escapou da minha

