Capítulo — Desordem " Quando o peito está em desordem nada na vida flui. " Cadu Ela quer me deixar. Quer ir embora. Quer me deixar sozinho. Eu, que há tanto tempo não sentia o gosto bom da vida, de repente me vejo perdendo a delícia que essa existência maldita me trouxe. De tudo o que tenho, a melhor parte é ela. Estou dirigindo, uma mão no volante, a outra apoiada na janela. Meus dedos se infiltram entre os fios brancos, e as lágrimas descem pelo meu rosto. Foi mais forte do que eu, não pude evitar. Eu não consigo evitar. Essa é a realidade. Ela estava nervosa, em fúria. Eu vi seus olhos brilhando, suas narinas delatando. Fui pego de surpresa com o vaso vindo na minha direção. Meu reflexo foi rápido; de outra forma, eu estaria com alguns pontos na cabeça. Tentei conversar, no entanto

