08 Scarlett

3308 Palavras
— Uma multa de 10 mil dólares? Mas que s*******m! — Britiney berrava indignada no telefone. — Ele merecia bem mais, merecia apodrecer na cadeia babaca maldito. Cíntia sorria para mim no balcão da cozinha enquanto Britiney berrava ao telefone no meu ouvido. Vibes diferentes. — Foi o que eu pensei, mas o que eu podia fazer? — Dei de ombros. — Mas ainda bem que tudo ficou bem. — Exatamente! Ai meu Deus... — Mesmo sem vê o rosto de Britiney eu sabia que ela estava com as mãos na cabeça como se estivesse desesperada. Altamente desesperada. — Se tivesse acontecido algo com você eu não sei o que eu faria da minha vida. Eu ri. — Óbvio que não aconteceriam nada, não seja dramática. Aquele canalha não estava nem louco de tentar fazer algo sério comigo dentro do metrô cheio de pessoas em volta. — Garanti com certeza. — Mas ele foi louco para te assediar e te empurrar, nessa vida não temos garantia de nada, Scarlett. — Britiney falou com um tom sério. — Esse tom sério não combina nenhum pouco com você. — Brinquei tentando descontrair. — Logo você, a pessoa mais brincalhona que conheço. — Falando em coisa séria, tenho o assunto para te falar. — Britiney falou e um grande silêncio se fez logo em seguida. — Então fale, não me mate de curiosidade. — Chamei sua atenção rindo de nervoso. — O Castiel... — Ah, não! É sério que é ele a coisa séria que você tem para me contar? — Questionei indignada. Um ensinamento que levei para a minha vida, é que quando casamos ou até mesmo quando convivemos com uma amizade por um longo período de tempo, depois de separarem e se distanciarem as coisas nunca vão voltar ao normal e tudo o que você vai fazer nos anos seguintes, é superar a partida de alguém que não volta fisicamente mas sempre volta como uma fofoca ou um cheiro de perfume que o vento trás de longe. É como estar com uma ferida aberta nadando dentro de uma piscina de álcool, quanto mais você nada tentando escapar da dor pelas bordas, mais a dor continua e te machuca tanto a ponto de você achar que nunca vai passar, até que finalmente passa. — Ele veio até aqui perguntar o porquê de você ter sumido, ele está bolado com a parada do divórcio e quer falar com você. Eu apenas falei que você havia viajado, mas não disse para onde. — Britiney assegurou para mim. — Obrigada, eu realmente não quero falar com ele. — Meu coração doeu quando falei. Ainda dói, o álcool não conseguiu fechar minha ferida ainda. — Scarlett, eu sei que pode ser doloroso mas mais cedo ou mais tarde você vai ter que falar com ele, porque a dor precisa ser sentida, porém também precisa ser superada ao ponto de os gatilhos não serem o suficiente para que deixem você cabisbaixa e desanimada. — Britiney aconselhou como se fosse algo simples de se fazer, como se não doesse em mim vê o homem que eu amo de perto e não poder tocá-lo porque eu sempre fui dele mas ele nunca foi meu. — Vá viver, conheça gente nova. Vista seu melhor vestido e vire uma girl power, mostre para você mesma que não é uma simples traição que vai acabar com a sua autoestima. — Não é uma simples traição. — Choraminguei. Cíntia veio caminhando vagarosamente até mim com uma caneca branca, ela sorriu para mim esticou a mesma em minha direção. A segurei sem entender muito bem. Britiney falava algo mas eu estava prestando atenção em Cíntia. — O que é isso? — Sussurrei para Cíntia. — Chocolate quente, acabei de fazer. Você não comeu quase nada hoje. — Cíntia tocou minha testa com sua mão gelada que causou calafrios em minha pele. — Não está com febre. — Obrigada. — Agradeci Cíntia que saiu andando e sumiu no corredor. Olhei para a caneca e dei uma gargalhada. Estava escrito "Tudo na vida passa, nem que seja por cima de você". Essa Cíntia é um amor. — Eu estou falando que caí quando fui tomar um banho hoje de manhã e você está agradecendo e rindo? — Britiney reclamou indignada. — Não agradeci a você, foi para a Cíntia. — Me expliquei. — Já está me trocando? Eu sabia que não devia ter deixado você viajar sozinha. — Ela esbravejou. — Quem é essa pirua e como você conheceu ela em apenas dois dias? — Cíntia é a secretária da casa, ela fez chocolate para mim porque não comi nada ainda e por isso agradeci a ela. — Ah, entendi. — Brity murchou. — Como que você caiu? Está tudo bem? Se machucou? Me conta. — Questionei preocupada. Britiney foi tomar banho sem chinelos de borracha e acabou se acidentando, já chamei sua atenção diversas vezes que isso não se faz, é perigoso mas ela nunca me ouve. Por sorte ela não se machucou, só o seu quadril que está bem dolorido. A noite pesquisei no Google por boates famosas aqui pela região, pensei em ir quem sabe não seria uma boa idéia. Todos dizem que eu preciso melhorar dessa dor de cotovelo e eu estou aqui, decidida a tentar. Não gosto de expor muito o meu corpo, mas uma boate pede uma roupa mais sensual. Vesti um vestido brilhoso alcinha prateada muito fininha, e tem um bonito decote. O vestido é colado e valoriza muito as curvas do corpo feminino, para não ficar muito vulgar, ele vai até um pouco acima dos meus joelhos. Passei um perfume bem cheiroso. Coloquei um salto preto de saltinho e tiras finas. Maquiagem mais simples, sombra bem brilhosa com uma sombra preta esfumada por baixo. Batom nude. Olhei no espelho e fiquei receosa por uns instantes se eu realmente deveria ir ou não. Talvez a Britiney soubesse me animar e me fazer ir, mas prefiro tomar essa decisão sozinha e tentar ir por contra própria. Desfilei com meus saltos pela piso de madeira até às escadas, desci degrau por degrau com cuidado. Cíntia tem insistindo em ficar aqui durante a noite, pois disse que se sente muito sozinha na sua casa e gosta de saber que tem companhia de alguém. Fora que ela falou que se sente mais confortável aqui, não quis perguntar para não a chatear mas tenho uma leve suspeita de que antes de mim vim passar um tempo aqui, ela devia ter passado mais tempo aqui do que seu turno exigia. Mas não que eu me importe, por mim tudo bem. Terminei de descer as escadas e ela me encarou de cima a baixo. — A senhora irá sair? — Cíntia questionou com um sorriso mínimo. — Vou, acho que preciso sair para desopilar, me distrair. Eu não posso ficar deprimida para sempre. — Sorri tentando convencer a mim mesma do que eu acabei de falar para a minha amada secretária. — Acho muito bom, vá espairecer. Você é jovem e precisa viver sua juventude. — Cíntia me deu esse apoio emocional e saiu andando. — E está muito bonita. — Disse quando já estava mais distante. Sorri comigo mesma, fui atrás de Cíntia e a encontrei mexendo em algo no fogão. — Você sabe onde a chave do carro está? — Questionei. — Sim, calma. — Ela lavou as mãos e saiu andando sumindo pelo corredor. Esperei alguns minutos por ela, até que Cíntia chegou do jeitinho dela quase mancando e me entregou as chaves. — Aqui está, não vá beber, tudo bem? — Ela gesticulou para mim como se estivesse me dando uma bronca. Rimos. Faz um tempinho que eu não dirijo, me acostumei a andar de motorista para todos os lugares. Fora que acabei desenvolvendo uma espécie de trauma pois bati o carro uma vez, desde então sinto como se eu fosse bater o carro em todas as vezes que vou dirigir. Mas está tudo bem, tirei o carro da garagem e saí com ele. Coloquei no GPS o local onde eu queria ir. O nosso medo as vezes é apenas psicológico e está tudo bem, não precisa temer conseguimos manter o controle das coisas mesmo achando que não conseguimos. O GPS informou que eu estava de frente para a boate, desci do carro e saí praticamente desfilando naquelas ruas. É estranho ir em uma boate sem a Britiney, boates são a cara dela. Na frente da boate tirei o celular da bolsa, abri na câmera e me posicionei em frente dela e tirei algumas fotos. "Olha onde a deprimida está Andei para dentro da boate com um pé na frente do outro sempre, deixei meu cabelo longo, loiro e ondulado balançar sobre o vento que passeava alí. Brity sempre diz que precisamos marcar território assim que entramos na frente de algum lugar, pois a primeira impressão é sempre a que fica e se não tivermos confiança no primeiro instante para conquistar a admiração de alguém, não temos absolutamente nada. A confiança é a base de tudo. Caminhei até o balcão, encarei o Barman que me olhou sorrindo. Estavam camisa, um lacinho preto no pescoço, bronzeado e o cabelo muito bem penteado com gel. Não Scarlett! A Brity diria que eu tenho uma fissura por Barman's. — Quero a bebida mais saborosa que tiver. — Pedi de uma vez como fiz na última balada que fui com Britiney e que deu tudo errado. Mas esta noite não tem porquê dá errado. O Barman fez o seu trabalho. Balançou uns negócios que não sei o que são e colocou uma bebida na taça misturada com gelo. Ele a arrastou até minha frente. Uma bebida linda, detalhes rosa e branco com uma rodela de morango enfeitando. — Prove, invenção da casa. — Ele sorriu para mim. O sorriso lindamente perfeito bem alinhado e branco. Scarlett! Meu celular vibrou na bolsa e o tirei para vê a mensagem de Brity. "Minha nossa! Finalmente! Quero saber de tudo depois" Ela mandou. "O Barman é muito lindo, você não tem noção!" "Que fissura é essa por Barman's? Vou dormir depois dessa" Britiney respondeu. Eu sabia que ela iria reagir assim e dizer que sou fissurada em Barman's. Eu gargalhei olhando para o telefone, ri tanto sozinha que me esqueci que estava em uma boate e haviam pessoas em volta. Estava tocando Major Lazer & DJ Snake - Lean on. Meu corpo repleto de adrenalina e meu coração super animado. Dancei com a cabeça alí na bancada pois não consegui me segurar. — Vodka com limão! — Uma voz grave e masculina gritou ao meu lado. Uma voz familiar, sei que conheço essa voz. Olho para o lado e vejo o loiro rude de dias atrás virando um copo de vodka como se fosse água e nem ao menos fazia careta. — Inacreditável. — Murmurei comigo mesma. Não sei se ele notou minha presença, mas tenho certeza também de que se ele notasse não me reconheceria. Ele usava uma camisa branca com uma jaqueta preta, calça jeans clara e all star. Ainda se veste como um adolescente. Ele acendia um cigarro atrás do outro, umedecia os lábios de vez em quando. Por alguns segundos fiquei vidrada em seus lábios avermelhados por longos minutos. Eu podia ver seu piercing na lateral do nariz melhor desse lado. Jack virou seu rosto em minha direção lentamente, desviei o olhar rapidamente. Olhei para o balcão e notei que eu nem havia provado minha bebida ainda, a segurei em minha mão e dei um gole, o gosto doce desceu queimando. Não consegui nem ao menos apreciar o sabor dela. Sinto que ele está me olhando, e meu corpo está reagindo de uma forma estranha. Acho que estou tremendo de nervoso. Olhei para o lado e me assustei um pouco com a visão que vi, não exatamente quando olhei para ele e sim porque Jack já estava me encarando. As mãos entrelaçadas como se estivesse rezando e o rosto escorado nelas. O tronco erguido para frente. Desviei o olhar algumas vezes achando que ele pararia de me olhar dessa forma mas todas as vezes que eu conferia novamente ele ainda me olhava. Ele me intimidava, mas eu não o intimidava e isso era óbvio. Jack nem piscava apenas semicerrava os olhos para mim como se estivesse me testando. Talvez ele ache que eu sou uma i****a que ele pode intimidar facilmente, talvez se eu olhar fixamente para ele, ele pare de me encarar como se eu fosse algo que o gato trouxe na boca. Virei minha bebida em um gole só, tentei ao máximo não fazer careta igual ele que não fez. O drink desceu queimando da minha língua até o estômago. Respirei fundo, apoiei meu queixo na minha mão e o encarei. Olhei fixamente para ele como se ele não fosse assustador. Jack me encarou fixamente de volta também, franziu as sobrancelhas, depois semicerrou os olhos... Tentei não desviar mas era impossível, ele tem um olhar julgador demais. Ele olhou para baixo e dei um sorrisinho de canto me dando por vencida. Jack deu um tapa forte no balcão involuntariamente e do nada, tomei um susto enorme, achei que meu coração ia pular para fora. — Outra vodka! — Ele gritou para o Barman por causa da música logo depois de acertar o tapa na mesa. Meu corpo estremece e pula para trás, eu ia virar para trás mas mãos fortes me seguraram. Meu gritinho foi vergonhoso demais. — Opa! — Um homem moreno de blusa social me segurou. — Foi quase. Você está bem? — Estou, eu só... — Olhei para o lado onde Jack estava sentado e não o vi mais. — Nada, só me desequilibrei. O homem sorriu simpático, falou com o Barman e saiu. "Eu+boates=caos" mandei para Britiney. Olhei a hora e notei que eram quase 3 da madrugada. Eu deveria ir embora ou ficar? Odeio barulhos muito altos, música alta demais me dão enjôos e eu nunca entendi o motivo. Meu celular vibrou em minha mão, olhei para a tela e vi o nome de Castiel brilhando na tela do celular. Eu ia apertar no botão vermelho, mas lembre do que Britiney falou sobre superar tudo para que nem mais os gatilhos conseguirem me deixar cabisbaixa. — Merda, Brity! — Murmurei comigo mesma. Deixei uma nota em cima do balcão quantidade que era óbvio que pagaria as bebidas. Saí em direção a saída para poder falar com ele. Não sei o que eu realmente venho fazer em boates, não gosto de beber e muito menos de dançar. Não sei o que exatamente estragou minha noite, se foi aquele i****a quase me derrubar da bancada ou Castiel ligar para mim na madrugada. Apertei a tecla verde e coloquei o celular no ouvido. — Scarlett! Com quem você está? — Castiel questionava apreensivo. Nesse momento eu estava em frente a boate, me encolhendo e tremendo de frio os meus dentes batiam um no outro. — Não devo satisfações para você, Castiel. Não temos mais nada, lembra? — Esbravejei. — Você ainda é minha mulher, eu não assinei a p***a desse divórcio. Então você é minha mulher ainda. — Castiel esbravejou. Quando ele fala palavreados assim, significa que ele está com muita raiva. Sempre achei ele atraente quando fala palavrões e fica com raiva dessa forma. — Não, não sou mais sua mulher. Você me perdeu, Castiel. E o que você está pensando em me ligar essa hora da madrugada? — Rastreei o carro, você está em uma boate. Com quem você está? — Ele disse bravo novamente. — Castiel, você não tem mais motivos para se preocupar se eu estou saindo com alguém ou não. Você escolheu ela, colocou ela acima de mim. — Segurei o choro. — Foi você quem acabou com o nosso casamento, então não aja como se eu que tivesse escolhido esse caminho para nós dois, porque você sabe que eu não sou a culpada de não estarmos mais juntos. — Disse firme. Eu o amava disso eu tinha certeza, e ouvir sua voz só comprava ainda mais isso. Eu o amo da cabeça aos pés, amo até mesmo os seus fios de cabelo e pelos da barba grisalhos que as pessoas tanto julgam. Amo Castiel mais que tudo, e tudo o que eu queria era estar com ele agora e o abraçar tão forte ao ponto de esmagá-lo. Quero lhe dar um abraço de anaconda. Quero acariciar os seus cabelos enquanto ele está deitado em meu colo. Quero me aquecer no seu corpo nos dias frios de chuva, agora mesmo está frio e tudo o que eu queria era me aquecer com seu abraço. — Scarlett, eu não sei onde eu estava com a cabeça quando fiz isso com você. Eu amo você mais do que a mim mesmo. Eu soube que estão acusando você de interesseira, e sabe o que eu penso? Mesmo que você fosse, eu não me importaria, passaria todo o meu dinheiro para o seu nome. Eu seria capaz até mesmo de abrir mão de tudo o que eu tenho por você, porque não me importo com o dinheiro. Tudo o que eu quero é você. Meu coração dói, acho que dói mais de amor reprimido do que de desapontamento. Tudo o que ele diz faz meu coração gritar "Eu o quero de volta", mas meu cérebro diz "ele vai partir seu coração novamente". Mordo o nó dos meus dedos para não chorar. — Scarlett, você ainda me ama? — Castiel questionou com sua voz rouca. Meu coração grita "sim, sim, sim, sim! Eu amo você mais do que a mim mesma. Quero você de qualquer jeito, quero estar com você em todos os momentos da sua vida, quero ser a mulher que você chama quando vai pôr a gravata. A mulher que faz massagem nas suas costas depois de um dia de trabalho cansativo. A mulher que você lembra quando está longe. Quero ser a sua princesa dos seus contos de fadas. Eu quero você, quero ser sua e somente sua". Mas meu cérebro também diz "Ele vai fazer novamente, porque você não é a única mulher que ele quer. Você é a exclusiva, a que estará sempre lá para ele. A mulher que nunca vai abandoná-lo. A mulher que estará quando a outra der um pé na b***a dele. Você é a exclusiva, a escolhida, mas não a única." — Eu estou tremendo de frio, Castiel. A única coisa que eu amo agora está no meu guarda-roupa, que é o meu moletom quentinho. — Ironizei. — Eu tenho amor próprio agora, eu sentiria nojo de mim se eu voltasse para você depois da humilhação que você me expôs. Eu te amei, Castiel. No passado. — Cada palavra que eu mesma falava era uma facada no meu coração. Eu falei firme e não chorei, mas eu estava arrasada por dentro. Mas não demonstrei, isso que importa. — Tudo bem, Scarlett. Se essa é sua escolha. — Castiel fungou como se estivesse chorando e desligou. Encarei a tela escura do celular tentando não pensar que isso aconteceu. Enfiei o celular dentro da bolsa. Apoiei a mão nos braços e deslizei para cima e para baixo os massageando na tentativa de esquentá-los. — Que frio! — Resmunguei para mim mesma. De repente, algo quente bateu em meu rosto e ficou alí pendurado nele. Peguei e notei ser uma jaqueta de couro preta, olhei para o lado e vi Jack caminhando já bem distante e a fumaça que ele soltava pela boca subindo e desaparecendo no ar. Ele estava ouvindo minha conversa no telefone? Enfiei os braços por dentro das mangas da jaqueta, e me senti aquecida. O cheiro doce e masculino preencheram minhas narinas me deixando entorpecida por aquele cheiro bom.
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