ANANDA Aquela semana parecia andar devagar, cada dia arrastado pelo turbilhão que Khalil tinha deixado dentro de mim. Era impossível não pensar nele. Eu tentava distrair a mente ajudando Laís em casa, caminhando pelo morro, me misturando com as pessoas dali… mas sempre que menos esperava, a lembrança do beijo voltava. No final da tarde, Laís resolveu me arrastar pra padaria da esquina. — Vem, Barbie, já que você tá aí toda aérea, pelo menos me ajuda a carregar pão e café. — Ela riu. Descemos a viela juntas, o calor do dia ainda grudando na pele, quando senti aquele arrepio familiar. Era como se meus sentidos já soubessem antes dos meus olhos. E lá estava ele: Khalil, encostado na moto, cigarro apagado nos lábios e um olhar que parecia atravessar a alma. — Olha quem resolveu aparecer…

