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Coração de Trincheira - Morro do Falcão.

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Sinopse

Eu não estava viva. Eu apenas respirava. Fugi do inferno com o corpo em pedaços e a alma em silêncio. Achei que o Morro seria só mais uma trincheira, mais uma guerra que eu não venceria. Mas naquela primeira noite, quando ele apareceu, tudo mudou. Kael. O homem que comanda com os olhos, mata com as mãos e domina com a boca. Ele me salvou. Mas não por bondade — e sim por algo mais perigoso: possessão. Eu era a luz tentando sobreviver no escuro. Ele era o escuro querendo devorar a minha luz. E quando nossos mundos colidiram, não sobrou nada além de desejo, violência… e fogo. Essa não é uma história de amor comum. É uma história sobre dor, redenção… e um coração que aprendeu a bater no meio da guerra. Coração de Trincheira – Morro do Falcão.

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Capítulo 1 – O Dono da Quebrada.
Aqui quem manda sou eu. Kael. O nome que ecoa nos rádios, que gela o sangue de quem tenta subir sem permissão. O Morro do Falcão tem dono. E dono não pede, dá ordem. Quando me avisaram que os caras da Zona Norte estavam se metendo, eu nem fiquei surpreso. Traficante burro tem por todo canto. Acha que subir ladeira é fácil. Que vai tomar o que é meu. Desci com os meus homens em formação. Fuzil no ombro, dedo leve no gatilho. Olhar firme. Quem anda comigo não treme. Quem treme, não anda comigo. Só que, no meio do caminho, teve uma cena que quebrou o fluxo. Um beco. Escuro. Cheiro de mijo e sangue. E ali, jogada no chão como se fosse resto de alguma guerra, tinha uma mina. Magra, machucada, tremendo. Três vagabundos em cima dela, rindo, babando, querendo abusar. Na minha quebrada? Na minha quebrada ninguém toca no que não é seu. Puxei a Glock, mirei no chão ao lado do tênis de um deles e disparei. A bala fez mais barulho que a sirene da polícia. O eco gritou nos ouvidos de quem tava perto. — Encosta nela de novo, que a próxima entra na tua testa — falei, calmo, direto, com a frieza de quem não grita pra ser respeitado. Eles me viram. Ficaram brancos. Um deles ainda tentou se explicar. — Foi m*l, Kael... a gente não sabia que era tua… — Não é minha. Mas também não é de vocês. Eles sumiram. Pisaram na própria sombra. Aí olhei pra ela. Rasgada, suja, sangue seco na boca. O tipo de mulher que já apanhou demais, mas ainda respira. E respira firme. O olhar dela me incomodou. Não era medo. Era resistência. Orgulho. O tipo de olhar que eu aprendi a esmagar antes que vire problema. Mas não esmaguei. — Quem te fez isso? Ela balançou a cabeça. Sem resposta. Eu conheço o tipo. Já vi demais. Fugida de macho covarde, de vida desgraçada, perdida em lugar nenhum. Mas ali, naquele olhar... tinha alguma coisa. — Tem onde dormir? Negou. — Então vem comigo. Hoje ninguém encosta em você. Ela hesitou. Pensou. Quase correu. Mas pegou minha mão. E ali, no meio da guerra, do fuzil cantando no alto, do sangue escorrendo em viela, eu levei uma estranha pra dentro da minha fortaleza. Não sei o nome. Não sei a história. Só sei que aquele olhar... vai me dar trabalho. E quem dá trabalho pra mim... ou vira minha ou vira passado. Ela era só mais uma sombra no escuro, caída no chão como quem não tinha mais pra onde correr. A boca rachada, a pele marcada, os olhos cavados de medo e cansaço... mas não desviou de mim. Isso me irritou. E me intrigou. A maioria abaixa a cabeça quando me vê. Ela, não. Me olhou como quem já viu o inferno de perto e não tem mais medo de demônio nenhum. Só que o problema é que eu não sou demônio. Eu sou o próprio inferno. E ela não sabia disso ainda. Segurei a mão dela — gelada, fraca — e puxei pra levantar. O corpo dela era leve demais, e o jeito que os joelhos dela tremiam me fez sentir uma coisa que eu odeio: compaixão. Merda. Não posso sentir isso. Isso enfraquece. Isso mata. Eu aprendi cedo que o mundo não é justo e que quem sente demais morre cedo. Mas tinha algo nela… naquela respiração curta, naquele olhar que não suplicava nada... que cutucou um canto meu que tava trancado há tempo demais. Ela me seguiu calada. Um passo depois do outro, com os braços cruzados, protegendo o próprio corpo. Quando passamos por dois dos meus soldados, vi o jeito que olharam pra ela — aquele olhar sujo, típico de homem que acha que qualquer mulher desacompanhada é um convite. Joguei um olhar de volta. Frio. Cortante. Eles baixaram a cabeça na hora. Aqui é assim. Um olhar meu vale mais que mil palavras. E quando eu cuido de alguém... ninguém toca. Nem com os olhos. Subimos os becos. A quebrada ainda ecoava uns tiros isolados no alto, mas já era coisa controlada. Meus homens tavam limpando a área. Não falei com mais ninguém. Não queria olhar pra ela demais. Não queria pensar. Mas cada vez que ouvia o som da respiração dela atrás de mim, ofegante, meio engasgada, eu sabia que tinha feito merda. Trouxe uma desconhecida pra dentro da minha guerra. E o pior? Não era pena. Era outra coisa. Instinto talvez. Ou... desejo. Mas eu não queria admitir isso. Não com uma mina toda ferrada, cheia de trauma no rosto e dor nos olhos. Mas quem disse que o desejo liga pra isso? Quando chegamos na parte alta, abri o portão da minha casa. A luz da varanda bateu nela e eu vi melhor. Os machucados eram piores do que imaginei. Braços arranhados, roxos no pescoço, um corte perto da clavícula. Aquilo não era acidente. Era espancamento. E isso acendeu um ódio antigo dentro de mim. Eu sei o que é apanhar, ser humilhado, ser tratado como menos. E sei o que é não ter ninguém por perto. Ela não precisava falar nada. O corpo dela já contava a história toda. — Pode entrar — falei seco, empurrando a porta. Ela entrou devagar, olhando tudo como se estivesse invadindo território proibido. E estava mesmo. Aqui ninguém entra sem que eu autorize. E ninguém que entrou saiu o mesmo. Ela parou perto da parede, quieta. Me olhou. Não pediu nada. Nem um copo d’água. Nem uma pergunta. Só… me olhou. Como quem espera o próximo golpe ou uma ordem de silêncio. Só que eu não dei nenhum. Fui até a cozinha, enchi um copo, joguei umas pedras de gelo e levei até ela. — Toma. Ela pegou com as duas mãos, como se tivesse segurando algo sagrado. Bebeu devagar, como quem não tinha certeza se podia confiar no que vinha dali. E quando terminou, finalmente soltou a primeira pergunta: — Por que você me trouxe? Parei. Olhei pra ela. Longo. E respondi baixo: — Porque eu não sou santo. Mas tem covardia que nem eu aceito ver calado. Ela assentiu. E não disse mais nada. Silêncio. Só o som dos nossos respiros. O meu, pesado. O dela… quebrado. E naquela noite, entre o cheiro da pólvora que ainda pairava no Morro e o gosto de sangue que ainda tava na boca dela… eu entendi. Essa mulher vai f***r minha cabeça. E talvez, meu coração. Ela ficou ali, parada, segurando o copo vazio com as duas mãos como se tivesse medo de largar. O olhar vagava pelas paredes, pela porta, pelo chão. Tudo, menos pra mim. E isso, de alguma forma, me irritava. Tinha mulher demais por aí que se jogava no meu colo por menos. Essa tava na minha casa, ferida, vulnerável, e ainda assim não se dobrava. — Tem um banheiro ali. Se quiser lavar o rosto — falei, apontando com o queixo. Ela apenas assentiu, andando devagar, como se estivesse pisando em cacos. Vi quando parou diante do espelho, meio de lado, e se encarou. Ficou lá um tempo, sem lavar nada. Só olhando pra si mesma. Vi quando passou a mão nos lábios machucados, como se quisesse arrancar a lembrança de quem bateu nela. Abaixei os olhos. Aquilo me deu um nó que eu não gostei de sentir. Eu era o chefe. O dono do Morro. Não me abalava por ninguém. Mas aquela garota… não era só mais uma. E eu odiava não saber o porquê. Peguei uma camiseta velha minha, larga, joguei em cima da cama do quarto de hóspedes. — Veste isso. Pode dormir aqui hoje. Amanhã eu vejo o que faço com você. Ela saiu do banheiro devagar, com o rosto molhado, os olhos vermelhos, mas ainda firme. Quando viu a cama e a roupa, hesitou. Olhou pra mim como quem não sabia se aceitava ou se fugia de novo. Mas no fim, não disse nada. Fechou a porta devagar. Fiquei parado na sala por uns minutos, encarando o vazio. O Morro lá fora ainda tinha barulho de moto passando, alguém gritando mais ao longe, o radinho chiando. Mas aqui dentro, só silêncio. E uma sensação maldita no peito, como se eu tivesse deixado um problema entrar pela porta da frente. Porque agora que ela tava ali, deitada na minha cama, usando uma camiseta minha, respirando o mesmo ar que eu… Eu sabia. Ela não era só mais uma mulher perdida. Ela era uma guerra. E eu? Eu sou bom de guerra. Mas dessa vez… Essa p***a ia ser pessoal.

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