Capítulo 20
Karina narrando
Eu tiro os meus calçados e abro um pouco a camisa do uniforme que era bem quente, sentamos em uma mesa e a gente faz os nossos pedidos.
— Bebida? – a mulher pergunta
— Um suco – Gregorio responde
— Para mim pode ser – eu falo passando os olhos – um refrigerante.
— Qual? – a moça pergunta
— Qualquer um.
— Existe várias marcas e sabores, estão todos no cardápio.
— O que você gosta, eu nunca tomei nenhum – ela me encara
— Claro – ela responde – irei escolher o melhor.
— Obrigada.
Eu olho para frente e Gregorio me encara, eu estreito os olhos a ele.
— Você tem certeza que não contará nada a Samanta? Ela vai ficar decepcionada comigo.
— É a primeira vez que faz algo do tipo? – ele pergunta me encarando – desobedecer ou esconder algo dela?
— De todos na verdade – eu respondo – minha vida sempre foi muito regrada.
— Não se preocupe – ele fala dando um leve sorriso em seus lábios – eu não contarei nada, até porque posso perder meu emprego.
— Isso jamais – eu falo rapidamente – não quero te prejudicar, podemos ir.
— Não precisa se preocupar – ele fala me encarando – não vai me prejudicar.
Eu abro um pequeno sorriso para ele e nossas comidas chega, eu tinha pedido batata frita, com camarão e alguns molhos, coisas que nunca comi.
Eu começo a comer eele tinha pedido algo mais simples e começa a comer também, depois peço açaí e mais um refrigerante e depois enquanto ele pagava , vou em direção a praia e logo sinto ele se aproximar.
— Eu gostaria de vir mais a praia – eu falo olhando para ele e ele me encara.
— VocÊ combina com a praia – ele fala sorrindo .
— Obrigada – eu falo para ele.
Eu molho os meus pés mas depois voltamos para casa, eu entro em casa e vou direto para o meu quarto, tomo um banho e bato a areia da minha roupa e calçados, quando saio do banho, Samanta já tinha preparado a minha roupa.
— Estava na cozinha quando chegou – ela fala – achei que demoraria mais.
— Foi rápido, a gente já tinha o trabalho mais ou menos encaminhado.
— Entendi – ela fala sorrindo – deixa que eu te ajudo a colocar a roupa.
— Eu consigo – ela me encara
— Claro – ela responde.
— Eu já desço.
— Ok.
Eu sentia falta da Maria Izabel diariamente, eu pego o colar que ela tinha me dado e coloco no pescoço, eu tinha um pouco mais de liberdade com ela aqui.
Samanta tinha servido a janta cedo e me fazia dormir super cedo também, era uma rotina chata e bem cansativa a que eu tinha.
Eu acabo não conseguindo dormir e olho pela janela vendo Grecco no mesmo lugar, ele olha para mim e a gente se encara.
Eu desço e saio pela porta dos fundos e acabo fazendo sinal para ele me encontrar no jardim e ele vem.
— Já está tarde – ele fala.
— Eu queria te agradecer por hoje, acabei não tendo tempo.
— Não precisa agradecer – ele fal estou aqui para ser seu amigo e não mais um inimigo.
Eu olho para ele e sorrio, ele passa a mão pelo meu rosto lentamente, aproximando seu rosto do meu e a gente acaba encostando os nossos lábios e a gente acaba se beijando, a luz da frente é ligada e eu me afasto dele me assustando.
— Eu preciso ir – eu falo e saio correndo.
Vejo Samanta na cozinha e vou andando para a biblioteca, eu ligo as luzes e fico sentada ali lendo um livro, logo Samanta aparece.
— O que está acontecendo que agora todas as noites está sem sono?
— Senti vontade de ler o livro que Maria Izabel sempre lia para mim quando pequena – eu falo
— Já terminou? – ela pergunta
— Ainda não.
— Quando terminar, vai descansar. Ok?
— Pode deixar – eu falo sorrindo para ela.
Capítulo 21
Grecco narrando
Uma semana depois....
Karina tinha pegado confiança em mim mais rápido do que eu imaginei, então estava na hora de levar meu plano adiante. Tirar ela daqui e levar ela para o morro e isso aconteceria amanhã a tarde.
— Quando ela vem? – Sampaio pergunta
— Amanhã a tarde – eu respondo
— Ok, Ester já preparou tudo para receber ela.
— Eu entendo que Ester está com você, mas você precisa ficar ligado.
— Relaxa – Sampaio fala – Ester é meio maluca, mas só não quer que a garota saia machucada.
— Desde o começo já falei que ela não vai sair machucada dessa história.
— Eu espero você me dar as coordenadas amanhã.
Eu desligo o telefone quando vejo Karina se aproximar, eu abro a porta para que ela entre.
— Como foi sua aula? – eu pergunto
— Foi boa – ela fala dando um leve sorriso.
Karina ela conversava comigo, mas ela era bem tímida e também receosa, ela confiava mas mesmo assim ela ficava com o pé atrás. O beijo foi um erro e aquilo não deveria ter acontecido, não era minha intenção me envolver com ela.
Ela desce do carro e Samanta já estava esperando ela na porta, pega sua mochila e as duas entram, Samanta a tratava como uma criança.
A noite chega e Samanta estava estendendo algumas roupas suas e eu me aproximo dela.
— Gregorio – ela fala – cada dia você me assusta mais.
— Achei que já estava acostumada . – eu falo para ela.
— Estou me acostumando.
— Eu ouvi dizer que amanhã você vai viajar.
— Vou – ela fala – preciso pegar dinheiro no banco e é somente no Rio de Janeiro. Cuidado redobrado com Karina.
— Fique tranquila – eu falo passando a mão pelo seu rosto.
Eu também me envolvi com Samanta para que conseguisse pegar mais a sua confiança, aos poucos ela foi cedendo.
A gente se beija e ela me empurra.
— Ninguém pode saber que estamos ficando – ela fala – essa casa é cheia de segurança. Jean não pode nem sequer imaginar que estou me envolvendo com alguém.
— Porque?
— Digo – ela fala – com um segurança.
Eu olho para ela estranhando o medo que ela tinha de que Jean desconfiasse que ela ficou comigo, isso só me intriga mais, de que Samanta não era apenas uma governanta e nem a babá de sua filha e sim algo muito mais importante a Jean.
Eu já tinha visto ela com telefonemas escondidos, ela tinha motorista próprio para sair da casa e era responsável pelos pagamentos, por buscar dinheiro, somente ela tinha contato com Jean mesmo ela negando isso, isso eu já tinha descoberto.
Essa mulher iria surtar quando souber que Karina evaporou dessa casa e provavelmente, ela vai perder muita coisa com esse sumiço.
Capítulo 22
Karina narrando
Eu perco meu sono e vou até a janela e vejo Gregorio e Samanta se beijando, não sei porque mas aquilo me deixou um pouco incomodada.
Ele tinha me beijado naquela noite mas depois eu cortei totalmente qualquer aproximação dele, até porque nunca sequer me relacionei com homem nenhum na minha vida e ele era o dobro da minha idade e o segurança do meu pai.
Eu entro para dentro e me deito na cama, a cada dia que passava a saudade por Maria Izabel é mais forte e mais apertada em meu coração, eu sentia a sua falta em tudo, em tudo mesmo.
— Bom dia – Samanta fala abrindo as cortinas e a encaro.
— É cedo – eu falo
— Bom dia – ela repete
— Bom dia – eu falo sorrindo
— Estarei viajando hoje, esqueceu?
— Não – eu respondo
— Qualquer coisa me liga no celular – ela fala me entregando o meu celular.
— Pode deixar, eu vou ficar bem. Toma cuidado, por favor.
— Fica tranquila – ela fala se sentando na cama e dando um sorriso – você sabe que é importante na minha vida, não sabe?
— Sim – eu falo sorrindo para ela – você também é.
— Eu sei minha menina – ela fala sorrindo – eu dou a minha vida por você.
— Porque está flaando isso?
— Porque senti vontade – ela fala sorrindo – a nossa rotina é tão corrida e cheia de compromissos.
— Obrigada por tudo que faz por mim, sem você, eu não sei o que seria de mim – ela sorri
— Eu sempre estarei do seu lado – ela fala e eu abraço ela.
— Se cuida na viagem.
— Pode deixar – ela fala – e você tenha uma boa aula, eu já preparei tudo, o que você gosta de almoçar, comer a tarde, seu lanche na escola.
— Você é incrível.
— Você que é – ela fala – nunca esqueça disso.
Samant asai do quarto e eu me arrumo para ir a escola, eu senti seu tom de voz preocupado e realmente ela parecia estar bem preocupada com algo.
Eu vou até a porta me despedir dela, que me abraça e depois entra no carro, eu vou em direção ao carro de Gregorio e ele me encara. Vejo que o carro não era o mesmo que me levava sempre, esse ele era maior e tinha até mesmo o porta malas maior.
— Bom dia senhorita Karina – ele fala
— Bom dia – eu respondo entrando no carro, ele fecha a porta.
— Você não dormiu bem? – ele pergunta
— Porque a pergunta? – eu pergunto de volta.
— Está ríspida. – ELE FALA ligando o carro.
Eu olho para fora e ele começa a dirigr para fora de casa, eu começo a estranhar o caminho.
— Esse não é o caminho da escola? – eu pergunto
— Não é – ele responde
— Para onde você está me levando? – eu pergunto
— Já vamos chegar – ele fala
— Onde?
— Chega de perguntas Karina – ele fala mostrando a arma
— Quem é você? – eu pergunto e sinto uma mão tampar o meu rosto.
Eu me debato tentando me soltar, mas colocam algo no meu rosto, o carro para e a ultima visão que tenho é de Grecco vindo em minha direção.