CAPÍTULO 2. PT. 2

1386 Palavras
[...] "Por que me colocaram para dormir no quarto de Kane?" — Escreveu. Após finalizar sua sopa, Jackson arrumou a cozinha e os três foram para a sala. Nesse meio tempo descobriu que Jackson se sente muito agradecido por Kane ter lhe ajudado, então sempre vem cozinhar para os Joan, já que esses não sabem se virar na cozinha. — Aqui só tem cinco quartos — Jolie apontou para a escada. — Um é o do meu irmão Nick, mas ele passa mais tempo viajando do que em casa, então sempre que viaja ele tranca o quarto e leva a chave. — Suspirou. — Um é o do Kane, no caso o qual você dormiu. — Agora pontou para Kaleb. — Um é o da bagunça, tem muita tralha velha lá. Como não tinha ninguém para ocupar o quarto ninguém ligou de limpá-lo. Um é o meu, mas minha cama é pequena, então não dá para nós dois dormir nela. — Finalizou. "Você disse que tem cinco e só falou de quatro" — escreveu. — O quinto é o santuário do Kane. — Coçou a nuca. — Ninguém sabe o que tem lá, a porta fica trancada vinte e quatro horas por dia. Ele trata aquele quarto como se fosse seu filho. — Kaleb arregalou os olhos, quem é doido a esse ponto? — Se você quiser ficar aqui, lembre-se: nunca chegue perto daquele quarto, não olhe para ele, não respire perto dele. Kane ama aquele quarto. — Finalizou. Jackson apenas concordou com cabeça. Kaleb, como não é nada curioso ficou com uma pulga atrás da orelha e a única coisa que ele pensou foi: me desculpe Kane, mas descobrirei o que tem naquele quarto. "E quando ele voltar, onde vou dormir?" — Escreveu. — Ah você pode fic- — não terminou de responder, pois seu celular começou tocar com uma nova ligação. Jolie pegou o aparelho e fez careta olhando a tela acesa. — Só um segundo. — Se levantou do sofá e foi em direção da cozinha. Kaleb e Jackson seguiram a ômega com os olhos, até ela desaparecer por dentro da cozinha. Se olharam e Jackson deu um sorriso amarelo para si. — Como você veio parar aqui? — O ômega perguntou. Kaleb sabia que essa pergunta uma hora ou outra viria a tona. "Prefiro falar com Kane primeiro, se não se importa." — Escreveu. Na realidade, ele não faz a menor ideia do que dizer, nem a ele e muito menos a Kane. O que ele poderia dizer? "Eu me acordei no meio da noite, escutei uma voz na minha cabeça e vim parar aqui, acabei dando uma de médico, mas não é nada de mais. Puff." Quem é o doido que acreditaria nele? Kaleb só sabia que teria que arrumar uma desculpa muito convincente para que Kane não faça muitas perguntas e o deixe ficar ali. — Não tem problema bobinho. — Jackson sorriu. — Eu vou fazer a janta, se você quiser dar uma volta por aí pode ir. Tem um jardim enorme aqui atrás da casa, se quiser pode ir lá. — Apontou para a porta. Kaleb se levantou e andou até ela. Tinha algumas pessoas andando pelo jardim, que realmente era muito grande. Tinha árvores e flores que ele nunca viu na vida. Cores, tamanhos, flores que ele nem sabia existir. O que realmente chamou a atenção de Kaleb foi a grande árvore de folhagem rosa, no centro do jardim, a mesma do seu sonho. Ele se tremeu todinho ao se lembrar do sonho, dos lobos chorando ou até do vulto. Andou em passos lentos até ela, era como se ele estivesse em um transe e só visse a árvore. Kaleb não fazia ideia de qual era o nome dela ou do porque ela estava em seu sonho, mas de uma coisa ele tinha certeza; é a árvore mais linda que ele já viu. Quando chegou perto o bastante ele a tocou, e a mesma sensação que sentiu no sonho ele sentiu ali também. Um sentimento estranho, mas reconfortante. Como se ele estivesse voltado para casa. Kaleb não percebeu, mas seus olhos ficaram azuis brilhantes, como duas pedras de diamantes. E isso era o mais estranho, os olhos do seu lobo não era azul, e sim amarelos. Kaleb sorriu para ela como se fosse sua melhor amiga que não viu a vários anos, sentou-se no chão e encostou suas costas no tronco, passando o restante da tarde ali; sendo abraçado pela árvore, sentindo o vento bater em seu rosto e olhando os alfas, betas e os poucos ômegas que ali trabalhavam. Fora a primeira vez em anos que ninguém perguntou o porquê dele não falar. Teve uma conversa boa e agradável com Jolie e Jackson sem se preocupar com sua voz,  sem perguntas constrangedoras, ou indiretas. Talvez ele realmente tenha achado seu lar. [...] Depois da tarde maravilhosa que teve ao lado de sua melhor amiga — a árvore de folhagem rosa —, Kaleb voltou para a casa dos Joan e jantou com Jolie e Jackson. Conversaram entre si novamente e Kaleb acabou descobrindo que Jackson morava com Seth, o médico da matilha, o beta. Ele disse que quando chega pessoas novas na matilha, elas escolhem entre construir uma casa ou morar com alguém, e Jackson preferiu morar com Seth já que criou com carinho de irmão com ele. Se ele for ficar na matilha, onde ele morará se não conhece quase ninguém ali? Terá que morar sozinho no meio de pessoas que não conhece? Céus. Jolie ficou o jantar quase todo calada, perdida em seus próprios pensamentos. Ele queria perguntar se ela estava bem ou se queria conversar, mas lhe deu privacidade. Afinal, Jackson não ligou para o estado catatônico da amiga, então Kaleb deduziu que foi por conta da ligação em seu celular mais cedo, e que ela sempre ficar assim quando a recebe. Depois que terminou o jantar Jackson foi embora, Jolie saiu para resolver algumas coisas e Kaleb subiu para o seu quarto — quarto de Kane. Tomou um banho com água quente, quase sofreu uma para cardíaca ao percebendo que não levou nenhum de seus moletons de dormir, e Kaleb só conseguia dormir de moletom. Olhou em volta e se deparou com uma parte do closet só de moletons, deu um sorrisinho sapeca e pegou um moletom cinza e vestiu, sentindo aquele cheirinho de uísque amadeirado. Ficou todo vermelhinho de vergonha por estar fazendo isso, mas o que ele poderia fazer se não pôs nenhum moletom em sua mochila, e se aquele cheiro era viciante? Isso mesmo, nada. Kane não ia descobrir que ele vestiu suas roupas, provavelmente o moreno só voltaria amanhã. Kaleb fez uma nota mental de que, assim que acordasse, pediria algum moletom emprestado de Jolie. Cheirando mais uma vez o moletom do Alfa lúpus ele foi para o quarto e se deitou na cama quentinha. Estava morto de sono, então não demorou muito a ir para o mundo dos sonhos, e às vezes pesadelos. Em pensar que passou um dia todinho sem olhar para cara de desgosto de sua mãe ou escutar palavras ruins desta, lhe aquece o coração, mas, só de imaginar que seu irmão deve está com raiva dele faz com que seu coração doesse. Eram mais de duas horas da manhã quando Kaleb sentiu uma presença no quarto, se virou lentamente de frente para a porta e deu de cara com o moreno lhe olhando com grandes olhos vermelhos. Kaleb se tremeu todinho e se sentou apressado na cama, assim que fez isso percebeu que o cobertor estava no chão e suas pernas estavam em vista, corou. Ficou ainda mais vermelho quando olhou para o moreno — com agora olhos pretos — e percebeu que seus olhos estavam ali, em suas pernas. Kaleb encolheu-se o máximo que pôde naquela cama. Kane fechou os olhos e respirou fundo, sabia que Kaleb estava dormindo em seu quarto, mas não imaginou que assim que chegasse em casa e fosse ao seu quarto pegar um de seus moletons para dormir, ia dar de cara com uma pequena criatura dormindo com um de seus moletons e sem cobertor, por pouco Kane não viu a b***a dele. Céus. — Vejo que acordou e já está se sentindo em casa    
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR