Kaleb nunca teve vontade de desaparecer igual teve essa noite. Nunca sentiu uma vontade tão grande de morrer depois de sua mãe ter batido em seu rosto e ter lhe chamando de monstro, como sempre.
Não foi a primeira vez que ele foi tratado como um monstro e, com certeza não será a última. Ser tratado como tal por sua própria família dilacerou seu pobre coraçãozinho.
Ele se sentia sozinho. Machucado por dentro e por fora. Estava perdido.
Ele não entendia o porquê de não ser um ômega normal, por que ele tinha que nascer sem falar? Por que isso tinha que acontecer logo consigo? Eram tantas perguntas sem respostas que ele sentia que iria explodir.
Estava em sua cama, escolhido enquanto chorava e se perguntava o porquê de seu pai ter ido embora e sua mãe falar tantas coisas ruins, sem ao menos se lembrar que ele era apenas uma criança. Se seu pai estivesse com ele, seria diferente?
Se sua mãe não entendia o porquê dele não falar, imagina Kaleb que só tem 18 anos e cresceu escutando ser um monstro.
Afinal, quem já viu um lupino nascer com alguma dificuldade? Era tão raro um lupino ficar doente, e só ficavam doentes os grávidos por ficarem vulneráveis ou com a quebra de uma marca. O fator de cura agia tão rápido que se ele quebrasse o braço — o que já aconteceu com Kaleb — seria no máximo uma semana para curar.
Para Kaleb, se o fator de cura agia tão rápido então, por que não curava suas cordas vocais para ele poder falar?
Ele se sentia agoniado enquanto chorava baixinho, todo encolhido na cama. Em sua cabeça apenas a voz da sua progenitora lhe chamando de monstro ecoava. Sentia-se tão sozinho.
Escutou a porta abrir e não precisou olhar para saber que era seu irmão, o cheiro doce que o outro emanava já chegara em suas narinas. A única pessoa que ele podia confiar e que realmente lhe amava era seu irmão, seu pequeno ômega. O ômega não ligava se seu irmão falava ao não, para ele, Kaleb era seu irmão e ponto.
Sentiu seu corpo ser abraçado por trás enquanto ficava com os olhinhos fechados, vermelhos pelo choro. Respirava fundo em busca do cheiro do irmão para se acalmar enquanto o mesmo o abraçava forte, como se pudesse tirar todas as dores que seu irmão sentia.
— Não fique assim Kalebie —Téo suspirou próximo ao ouvido do outro. — Mamãe não sabe o que fala, você não é um monstro apenas por não conseguir falar. Não chore mais, uh?
Kaleb acenou positivo com a cabeça, essa que doía de tanto latejar, ele só queria tomar um banho e dormir. Se tivesse sorte, não acordaria mais.
Foi o que ele fez. Ele se levantou sem olhar para o irmão e foi em direção ao banheiro. Téo suspirou e foi para seu quarto, sabia que seu irmão queria ficar sozinho e ele infelizmente não podia fazer nada para ajudá-lo ou ir contra sua mãe, afinal era um ômega de apenas 16 anos, sua mãe nunca lhe escutaria.
No banheiro Kaleb tomou qualquer remédio que ele achava ser bom para dor de cabeça e tomou um banho gelado, sentiu todo seu corpo se arrepiar, mas não saiu de baixo da água até seu corpo está acostumado com a temperatura gelada.
Vestiu uma boxer vermelha e um moletom amarelo que ia até suas coxas e deitou-se na cama quentinha. Rezava para que ao menos seu sono fosse bom e a noite demorasse a passar, não queria olhar para sua mãe quando amanhecesse.
Todo o amor que sentia por ela foi se desfazendo a cada t**a em seu rosto e palavras maldosas que, era muito pior que tapas. Queria que sua mãe fosse feliz e tirasse todo aquele ódio que ela tinha em seu coração.
Kaleb não queria mais viver com ela, olhar para tal doía muito. Queria apenas ser feliz com alguém que não ligasse para o fato dele não conseguir falar.
[...]
Ele estava sentando no banco da praça, o vento gelado batia e o arrepiava, mesmo sendo de dia e o sol ainda estivesse em vista.
Ele sorria, brincando com uma joaninha na mão. Ela fazia cosquinhas em sua palma então, às vezes soltava gargalhadas.
Não fazia ideia de como parara lá, mas para ele não importava muito, ali parecia ser uma vida melhor para si.
Levantou a cabeça e observou ao redor, sendo atraído por uma árvore no meio da praça, uma árvore enorme com folhagem rosa, essa que caia em seu tronco expondo toda sua beleza.
Ele levantou-se do banco e andou para perto dela, observando como era ainda mais bonita de perto.
Ele tocou o tronco da árvore e se sentiu bem a analisando de perto. Então sentiu seu corpo tremer, era como se a árvore tivesse lhe passando choques pelo contando.
Tirou a mão rapidamente do tronco e se virou para sair dali o mais rápido possível, mas quando seus olhos bateram na praça ele caiu sentando no chão. Não era mas uma praça bonita no meio da cidade, agora era uma floresta n***a, fria e estava de noite.
Kaleb arregalou os olhos, olhou em volta e não encontrou nada e nem ninguém. Escutou barulhos atrás de si como se alguém estivesse pisando em gravetos, virou a cabeça minimamente para trás observando dois lobos ao redor da grande árvore.
Um grande lobo preto estava com o focinho no pescoço do lobo branco, um pouco mais baixo que si. Kaleb olhou aquela cena, abismado. É claro que ele sabe que lobos existe, ele é um afinal. Mas nunca vira um, nem ele tinha se transformando ainda.
Quando os lobos se separaram, eles olharam diretamente para Kaleb, nesse momento ele percebeu que os olhos dos lobos estavam tristes, ele podia jurar estar vendo dois lupinos gigantes chorar.
Ele só podia estar ficando louco.
O lobo branco deu um passo em sua direção, ele se arrastou para trás querendo ficar o mais longe possível dele. O lobo olhou diretamente em seus olhos, seu corpo relaxou imediatamente e permitiu a aproximação.
Quando o lobo aproximou-se, Kaleb se encolheu e entre tudo que ele imagina que aquele lobo fosse fazer, entre uma patada em seu rosto, até lhe estraçalhar com as garras de suas patas, ele nunca imaginou que o lupino fosse tocar sua testa na dele.
Kaleb respirava calmo, olhando aquele lobo de olhos azuis incansavelmente e então ele realmente soube estar doido quando o lobo falou com si.
— Você precisava cumprir a promessa Kaleb. — Foi o que o lobo disse.
Kaleb perguntou-se que promessa o lobo falava, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa o lobo desapareceu como fumaça, como se nunca estivesse ali.
O lobo preto caiu no chão, uivando alto.
Kaleb não sabia como, mas tinha certeza que aquele lobo estava sofrendo, instantaneamente seus olhos encheram de lágrimas. Ele não sabia o que fazer, mas parecia que seu corpo sabia, pois, ele se moveu sozinho para perto do lobo, sem medo algum.
Quando ele chegou ao lado do lobo preto de olhos vermelhos, ele tocou os pelos de sua cabeça e o lobo olhou em seus olhos, Kaleb se viu hipnotizado neles. Então, sem mais nem menos, os olhos vermelhos se tornaram grandes olhos negros, olhos de amêndoas. Eram as orbes negras mais lindas que o ômega já vira.
Como o lobo branco, o lobo preto também desapareceu feito fumaça. Kaleb se sentia atordoado, como ele foi parar ali? Quem era aqueles lobos? Que promessa ele precisa cumprir?
Antes de procurar por si só as respostas, um vulto preto apareceu atrás da árvore, Kaleb se tremeu todinho igual vara verde.
— Você precisa ir Kaleb — se ele ainda não se achava doido o suficiente, agora estava a um fio de ligar para um sanatório. — Vá Kaleb, acorde. — O vulto com voz feminina continuava falando e ele sentia-se perdido.
Para onde ele precisava ir? Ele estava dormindo? Aquilo era um sonho? Ele olhou para o vulto, perdido, sem saber o que ia fazer para perguntar pra onde ele tinha que ir. Uma voz masculina ecoou em sua mente, fazendo assim ele levar suas mãozinhas até seus ouvidos.
— Kaleb... eu preciso de... você — a voz estava entrecortada, o dono dela estava sofrendo. Ele reconhecia aquela voz, ele já escutou ela antes, só não lembrava aonde.
— Acorde Kaleb, você precisa ir. AGORA. — A voz do vulto gritou e quando o grito cessou ele abriu os olhos, sentando-se de supetão na cama.
O ômega respirou fundo, sentia seu coração doer, estava suando e tremendo. Seu coração dizia que ele precisava ir, mas para onde ele iria?
Se levantou apressado da cama, olhou para o relógio em cima da cômoda, marcava três horas da manhã. Ele não sabia para onde teria que ir, mas sabia precisar ir.
Ele pegou uma mochila de costas e colocou algumas roupas — poderia precisa delas. Ele estava com medo, mas tentava se tranquilizar, pelo menos ficaria longe de sua mãe. Ficava triste apenas pelo seu pequeno ômega.
Trocou de roupa colocando a mas quente que tinha, colocou seu bloquinho de notas perdurado em seu pescoço, pegou sua mochila e saiu do quarto, andando calmo para não chamar atenção, esperava nunca mais ter que voltar a morar ali.
Se ele tinha a oportunidade de sair de casa e nunca mas ver sua mãe então, ele faria.
Foi para o quarto do irmão e, assim que abriu a porta o cheiro doce do mais novo invadiu suas narinas o acalmando de imediato. Ele olhou o corpo pequeno todo encolhido sobre a cama, seus olhos estavam um pouco aberto, mas Kaleb sabia que mesmo assim ele estava dormindo.
Caminhou calmo pelo quarto, quando chegou perto do mais novo tocou os fios semelhantes ao seu que caia sobre sua testa, deu um sorriso triste, seria difícil deixar ele, mas precisava.
Abriu seu bloquinho e escreveu uma despedida, sentindo uma lágrima descer de seus olhos.
"Me desculpe por fugir Tetê, mas prometo que volto pra te buscar quando eu tiver condições então, me espere. Eu te amo.
Kalebie"
Kaleb deixou sua despedida em cima da cômoda e saiu do quarto indo em direção a porta de entrada, na sala. Parou em frente a ela e olhou tudo em volta, observando a sala, o sofá que sempre se acomodava e a TV que sempre assistia desenhos. Prometeu a si mesmo que acontecesse o que acontecesse ele não voltava mas para aquela casa.
Olhou no balcão da cozinha e viu uma lanterna em cima, a voz feminina apareceu em sua cabeça novamente, dizendo um simples e direto "pegue".
Ele não sabia como, mas sentia que precisava seguir aquela voz. Então, pegou a lanterna e saiu de casa, trancando a porta e rezando para que tudo ficasse bem.
Se bem que para ele rezar não funciona muito, pediu a algum deus para dormir a noite inteira e bem, e acabou fugindo de casa. Céus...
Ele sentia-se um bobo, já pensara em até suicídio mas nunca pensou em fugir de casa. Sinceramente. Não que suicídio fosse resolver algo, mas naqueles momentos, Kaleb supôs que sim.
Andou, andou e andou por mais de trinta minutos por todo o bairro sem saber para aonde seguir, com quem tentar falar com seu bloquinho ou apenas tomar um copo com água. Xingava-se mentalmente por não ter levado comida ou água, se ele fosse ficar vários dias na rua, o que ele fará para comer? Roubar?
Só em pensar naquilo ele se estremecia todo. Andou por mais alguns minutos e já estava quase desistindo quando parou em frente ao início da floresta. Sentia calafrios só de imaginar ter que entrar ali dentro.
Virou-se, decidiu andar mais um pouco até achar um lugar para passar o restante da madrugada, mas antes que desse o primeiro passo a voz ecoou de novo:
— Entre.
Ele paralisou, essa pessoa que ele nem sabe se realmente era uma pessoa está mandando ele entrar naquela floreste macabra? Se ela quer que ele morra por que não o joga de cima de um penhasco logo?
— Entre Kaleb, está perdendo tempo, vá.
Praguejando mentalmente, virou-se para a floresta, respirou fundo e andou para dentro. Quem em sua sã consciência entraria naquela floresta, a noite, e sem ter com o que se defender?
Pelo que Kaleb assistia no noticiário, naquela floresta viviam matilhas, que roubavam e matavam pessoas. Como ele sobreviverá ali se, se deparasse com alguém dessas tal matinhas? Se o pessoal da cidade soubesse o que ele estava fazendo, o taxavam de monstro e agora de louco.
Pois era assim que Kaleb sentia-se, louco. Quem seguiria uma voz em sua mente, fugiria de casa sem levar comida e entraria em uma floresta a quase quatro horas da manhã? Isso mesmo, apenas um louco.
Kaleb tirou a lanterna da mochila quando o breu começou a impedir de ver até as árvores e, andou, passou mais meia hora andando, tropeçando nos galhos, e se assustando quando ele mesmo pisava em gravetos.
Quando se sentia já tonto de sede, ele avistou luzes amarelas vindo de um local próximo de onde estava, se alegrou e correu em direção delas. Se a voz não mandou ele parar é porque não devia ser r**m ali, certo?
Quando se aproximou mais, viu uma placa grande pendurada em uma árvore.
ALFA X
SE AFASTE!
Era o que estava escrito ali, Kaleb leu e releu aquilo, ficou uns cinco minutos para ver se escutava a voz mandando ele ir embora, mas não houve nada, então ele caminhou entre as árvores que formavam um caminho para as outras luzes, que com certeza daria a uma matilha.
Ele pedia baixinho para que aquela matilha não o matasse assim que ele chegasse lá.
Mais um pouco a frente ele viu uma grande fogueira, devia ter no mínimo uns três metros de altura. Ao redor da fogueira tinha pequenas casas, umas quinze mas ou menos, e havia outras mais para trás. As casas faziam um símbolo meio oval ao redor da fogueira e Kaleb se impressionou com aquilo tudo.
Todas as casas eram de madeira, algumas tinha um primeiro andar, mas a que lhe impressionou mesmo foi a casa do meio, ela era enorme, era uma mansão perto daquela que ele morava.
Deu mais alguns passos para perto da fogueira, mas parou assim que notou ter vários Alfas — tanto macho quanto fêmea — andando de um lado para o outro, apressados, quase atropelando uns aos outros.
Kaleb arqueou as sobrancelhas sem entender nada. Se encolheu ao ouvir um grito, grito não aquilo foi mas um rosnado forte. Em menos de cinco segundos não tinha mais ninguém andando por ali, penas ele ficou lá, em frente à fogueira.
Outro rosnado foi ouvido, mas o ômega não ficou com medo, ele ficou agoniado porque aquela pessoa estava sofrendo e, era como se ele soubesse exatamente quem era que estava gritando.
— Vá.
Ouviu a voz de novo, e não pensou em mais nada, apenas seguiu os gritos altos que atormentavam o seu lobo.
Quando chegou em uma casa pequena com a porta estava aberta, ele sentiu o cheiro de quatro lobos ali dentro, um ômega, dois Alfas e um Alfa lúpus, teve um que não conseguiu identificar o cheiro, talvez fosse um beta. Também sentiu cheiro de sangue, muito cheiro de sangue e já esta ficando tontinho com aquele cheiro misturados com os feromônios lupinos.
— Você é o médico dessa matilha, salve ele, Seth — Kaleb ouviu uma voz feminina de dentro da casa e, pela sua voz ela estava desesperada.
— A bala que está dentro dele, é bala de prata, se eu tirar sem saber ao menos o que eu tô fazendo pode m***r ele — agora uma voz masculina falou mais alto, com raiva. — Eu nunca tirei uma bala de prata, um passo errado e ele morre, Jolie.
— Salve-o. — A voz ecoou de novo em sua cabeça.
"Como?" — Perguntou mentalmente.
— Irei lhe guiar. Vá, ele não pode morrer, não deixe ele morrer.
Sem saber o que fazer, ele entrou na casa atraindo o olhar dos quatro, o quinto estava deitado em uma mesa, gemendo de dor. Era o lúpus.
— Quem é você, e por que está aqui? — O de fios pretos perguntou se aproximando de Kaleb, analisando-o de cima à baixo.
Ao sair do transe que Kaleb estava, olhando para o moreno em cima da mesa, ele olhou para às quatro pessoas ali, todas olhavam para ele com uma interrogação no rosto. Ele abaixou a cabeça e pegou seu bloquinho para se comunicar com eles.
"Meu nome é Kaleb, eu preciso salvar ele"
Foi isso que ele escreveu e entregou para o beta de fios negros, ele leu e arqueou uma sobrancelha, sem entender nada.
— Por que escreveu isso? Você não sabe falar? — Perguntou. Kaleb negou com a cabeça e todos arquearam as sobrancelhas. Qual lupino não sabe falar? — Como você chegou aqui ômega?
"Por favor, eu explico tudo depois, mas agora preciso salvá-lo, ele está morrendo"
Escreveu novamente, e rezava para que ele não fizesse mais perguntas pois, nem ele mesmo sabia como havia chegado ali. Quem pegou o papel dessa vez foi a garota, ela leu atentamente o que havia escrito ali.
— Se você sabe como, então por favor, não deixe meu irmão morrer. — Ela falou, desesperada para salvar o irmão.
— Mas a gente nem conhece ele Jolie, vai que ele veio m***r o chefe? — Kaleb não deu nem um passo e escutou o garoto loiro falar, quase gritando.
— Seth não sabe tirar essa bala sem o m***r e se não tirar ele morre do mesmo jeito, então me diga Yohan, você tem algo melhor que esse ômega? — A garota tinha os olhos ardendo em fogo, ela só queria salvar o irmão.
Yohan ficou calado, ela estava certa, se não tirar ele morre e se tirar errado, ele morre, então não custava tentar.
Após ver que ele ficou calado ela olhou para Kaleb e acenou para ele fazer o que tinha que fazer.
Kaleb andou acanhado até o homem de pele morena que ainda gemia em cima da mesa. Quando parou em frente a ele, tirou sua mochila das costas e colocou em uma cadeira que estava ao lado da mesa. Com o barulho que fez, o moreno pareceu perceber agora a presença do outro. Olhou atentamente para seu rosto, observando todos os detalhes dele e Kaleb fez o mesmo.
— Quem é... v-você? — Perguntou, arfando no meio da fala.
Quando ele tocou em seu bloquinho a voz em sua mente falou de novo, e dessa vez ele arqueou as sobrancelhas.
— Fale com ele, igual fala comigo.
O ômega passou cinco segundos para entender aquilo. Como aquele moreno entenderia ele?
"Me chamo Kaleb, preciso salvar você, tudo bem?"— Falou mentalmente, incerto se o outro entenderá ou não.
— Por quê? — Essa pergunta o fez arregalar os olhos, se ele respondeu significa que entendeu a pergunta. Kaleb estava a ponto de explodir.
"Eu também não sei, mas preciso que confie em mim, tudo bem?" — Perguntou.
O moreno, agora pálido pela perca de sangue, confirmou com a cabeça.
Todos ao redor olhavam eles sem entender nada, como eles estavam conversando sendo que Kaleb nem sequer abriu a boca? Eram muitas perguntas sem respostas, e a primeira que todos estavam curiosos era: como o ômega de madeixas esbranquiçadas apareceu ali?
— Peça que alguém pegue todas as folhas de chá que existe por aí e misture com lama.
Kaleb pegou seu bloquinho e escreveu aquilo rápido, entregou para o que ele identificou como beta, pois ele não tinha cheiro. Esse achou estranho, mas saiu a procura das folhas de chá.
— Peça para alguém colocar uma faca na fogueira e só trazer de volta quando ela estiver vermelha.
Kaleb fez de novo, pegou seu bloquinho e escreveu o pedido, entregando ao Alfa loiro, que saiu apressado em busca da faca. Ficaram apenas os ômegas e o Alfa ruivo, esse que até agora não falara nada.
— Pegue a tesoura e corte a carne onde está a bala, corte apenas do tamanho do seu dedinho.
Kaleb se tremeu todo, ele teria que abrir o rapaz com uma tesoura. Céus. Depois que eu salvar esse homem sairei doidinho daqui, pensou.
Ele olhou ao redor e viu uma tesoura em outra mesa, andou rápido até ela e comemorou mentalmente por não está enferrujada. Andou até o moreno de novo e, os outros dois olhavam atentos para ele, talvez para salvar o moreno caso vissem algo errado.
"Segure o tronco dele com força, preciso que ele fique parado"
Kaleb escreveu de novo no bloquinho e entregou ao Alfa ruivo, ele leu e caminhou rápido até o moreno, colocou as mãos em seus p****s e empurrou para baixo. A bala estava em baixo das costelas esquerda, se ele cortasse demais o moreno morre. O ômega se tremia todinho.
"Qual é o seu nome?" — Perguntou mentalmente para o Alfa, enquanto passava um pano em cima da ferida para tirar o excesso se sangue.
— K-kane... Joa-an — respondeu enquanto se contorcia de dor.
"Belo nome"
Ele enfiou a faca na carne já machucada e o moreno gritou, mas gritou tanto que até o alfa ruivo se encolheu, quando Kaleb viu ele quase soltando Joan da mesa ele olhou em seus olhos em repreensão, mostrando que não era para solta-lo.
Jolie no primeiro grito virou de costas e tampou os ouvidos com as mãos, não aguentaria vê seu irmão sofrer.
Kaleb cortava a carne o mais lento possível, não podia fazer muita força e o machucar ainda mais, e sem contar que ele não fazia ideia do que estava fazendo.
Quando estava terminado, o beta de fios pretos entrou com uma vasilha cheia de folhas de chá misturado com lama, colocou em cima da mesa e abraçou Jolie..
Quando Kaleb terminou, ele tirou a tesoura de dentro do moreno e colocou de qualquer jeito na mesa, respirou fundo e esperou o próximo comando, esse que não demorou muito a vim.
— Pegue a mistura e passe na ferida aberta, quando terminar coloque sua mão com cuidado dentro dele e puxe a bala.
Kaleb estava quase desmaiando ali, seu suor já descia por sua testa. A voz falando em sua mente, o Alfa gritando e agonizando de dor e a tremedeira que sentia não estava ajudando.
Ele pegou a mistura na vasilha com os dedos trêmulos e passou na ferida aberta, o gelado da lama tocando a quentura do sangue do moreno fez com ele levasse leves choques na pele.
Quando terminou de passar toda a lama na ferida, ele fechou os olhos, respirou fundo e enfiou a mão na carne do outro. Kaleb mexeu seus dedinhos em busca da bala de prata, assim que a segurou com os dedos a porta foi aberta e o Alfa loiro entrou com a faca vermelha, literalmente pegando fogo.
Kaleb tirou a bala de dentro da carne e colocou ao lado da tesoura. Ele tremia mais que vara verde. Quando foi que ele saiu de um ômega defeituoso e foi para a parte de doutor Finn?
— Limpe a mistura com o pano, pegue a faca e pressione em cima para saturar e fechar a ferida.
Kaleb respirou de novo, sentia suas pernas bambas, jurava a si mesmo que iria desmaiar a qualquer momento. Ele pegou o pano de novo e limpou a lama da pele do moreno, olhou para o lado e Yohan estava lá segurando a faca.
"Ajude a segurar ele"
Escreveu, quando o Alfa loiro assentiu ele segurou a faca e esperou ele ir para perto do Alfa lúpus, quando ele chegou, segurou-o com força junto ao Alfa ruivo. Kaleb fechou os olhos, rezando para que desse certo, então ele segurou a faca com força e pressionou forte no machucado.
O grito que o Alfa lúpus deu, fez todos da matilha escutar e se encolherem em suas casas. Ele segurava com força a faca vendo ela queimar a pele rapidamente.
Os Alfas não estavam mas aguentando segurar o moreno. Quando ele parou de ser debater e desmaiou escutou a voz dizer um "você conseguiu", e sem prestar atenção em mais nada ele só escutou a faca caindo no chão e... viu tudo preto. Também havia desmaiado.
—
ATÉ O PRÓXIMO ;)