Capítulo 9

689 Palavras
Ariston Galanis Silêncio. A sala inteira respirava silêncio. Exceto pelo som dos meus dedos batendo lentamente no braço de couro da poltrona. Um ritmo calmo. Constante. Matemático. Três homens mortos. Três cães bem treinados. Três fracassos. E todos pela mesma mão. Meu filho. Gustavo. Até algumas horas atrás, eu acreditava que ele ainda estivesse adormecido — emocionalmente quebrado, mentalmente cego, incapaz de vestir novamente a pele do herdeiro que eu moldei com tanta perfeição. Mas então… Um alerta. Um relatório. E por fim, o telefonema. A respiração dele estava diferente. Não trêmula. Não ansiosa. Calma. Aquela calma. A calma que eu havia ensinado a ele. A calma mortal. — Ele matou todos — anunciou Demetri, meu segurança mais antigo, entrando no escritório. — Não sobrou nenhum para interrogarmos. Eu não respondi. Continuei batendo o dedo no couro. Toc. Toc. Toc. Demetri engoliu em seco. — Príncipe… devíamos enviar outro esquadrão. Eu levantei um olhar lento para ele. — E desperdiçar mais homens? — perguntei. — Para que minha cria os abata com brinquedos velhos de Helena? A sombra de irritação atravessou meu peito. Helena. A mulher que ousou proteger aquilo que me pertencia. A mulher que escondeu segredos. A mulher que morreu cedo demais. — Ele não deveria ter acessado a Sala Ômega — continuei. Demetri coçou a garganta, nervoso. — Com todo respeito… talvez Helena tenha deixado algo que o senhor não previu. Meu olhar gelou o ar. — Eu prevejo tudo. Demetri baixou os olhos. Eu me levantei devagar, ajeitando o paletó. Fui até a janela. A mansão inteira estava silenciosa. Preparando-se. Esperando. — Gustavo encontrou o que não devia — murmurei. — E ao invés de fugir… decidiu lutar. Um sorriso lento se formou em meus lábios. — Meu filho finalmente acordou. Demetri pigarreou. — Devo mobilizar o conselho, então? — Não. — Virei-me para ele. — O conselho vai esperar. Gustavo está em ascensão… e eu quero ver até onde ele sobe. — O senhor não tem medo que ele desafie sua posição? — arriscou Demetri. Meu sorriso se alargou. — Medo? De Gustavo? Não. Medo é para homens pequenos. Eu conhecia meu garoto melhor que ninguém. Eu o quebrei. Eu o moldei. Eu o expulsei quando ele precisava se tornar perigoso. E agora ele estava retornando, armado com ódio e com uma mulher ao lado. Ah… aquela mulher. Selena. A órfã insolente com olhos de gelo. A filha adotiva de Helena. A flecha que Helena posicionou com perfeição… e lançou contra mim sem sequer estar viva para assisti-la atravessar meu peito. — Selena é um problema — Demetri disse. — Ela o está influenciando. Eu me aproximei dele lentamente. — Selena não é um problema. Ele engoliu em seco. — Então o que ela é? — Um convite — respondi. — Para um jogo maior. Passei por ele e fui até o bar. Derramei um pouco de uísque no copo. O líquido dourado refletiu meu rosto — frio, implacável, calculado. — Gustavo agora acredita estar pronto para enfrentar o próprio pai — murmurei. — Ele realmente acha que isso o torna perigoso. Dei um gole lento. Saboreei. — Mas ele ainda não entendeu… Coloquei o copo de volta na bandeja, o som suave como uma sentença. — …que fui eu quem criou o monstro dentro dele. O telefone da mesa tocou de novo. Demetri atendeu, ouviu, empalideceu. — É sobre Gustavo, senhor. — Diga. — Ele deixou um corpo pendurado na entrada do antigo abrigo… com uma mensagem escrita em sangue. Meu coração não acelerou. Meu sorriso, sim. — E qual mensagem é essa? Demetri engoliu em seco. — “Não sou mais seu filho.” A sala silenciou. Eu fechei os olhos. E ri. Baixo. Sombrio. Feliz. — Ah, Gustavo… — murmurei. — Finalmente deixou de ser criança. Abri os olhos. O rei dentro de mim despertou totalmente. — Prepare tudo. — Minha voz cortou o ar. — A guerra começou. Demetri assentiu e saiu quase tropeçando. Fiquei sozinho. E silenciosamente, ergui o copo numa saudação invisível. — Venha, meu filho. Quero ver até onde consegue chegar antes que eu quebre você novamente.
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