Narrado por Marco Acordei antes do despertador. A mente já ligada no modo alerta, como se estivesse pronta pra guerra — mas hoje o combate era outro. Hoje não era reunião, tribunal nem atentado. Era a última sessão de quimioterapia da Sofia. E por mais que aquilo fosse motivo pra comemorar, o meu peito carregava uma tensão estranha. Porque a última sessão não significava que o perigo tinha acabado. Era só mais um passo. Importante, sim, mas ainda parte da caminhada. Peguei o carro às oito em ponto. Dois seguranças já estavam posicionados: um no carro de trás, outro dentro do hospital, com crachá falso e olhar afiado. Eu não ia correr riscos. Toquei o interfone. Ela atendeu com aquele tom leve de sempre, mesmo quando as forças estavam no limite. Sofia: Tá atrasado, doutor. Marco: Se e

