May — narrando Pego o Uber e sigo rumo à casa dos meus pais. No caminho, uma tempestade de sentimentos me consome por dentro — medo, ansiedade, saudade, um aperto no peito que só cresce conforme me aproximo. Depois de tantos anos, como será que está tudo? Será que mantiveram a casa do jeitinho que era? Será que as lembranças ainda moram lá dentro? Eu não avisei ninguém que viria. Nem a Noêmia, a empregada que minha tia deixou cuidando da casa. Quis que esse momento fosse meu. Só meu. Mas agora, no banco de trás do carro, minhas mãos suam frio, o coração dispara, e um nó se forma na garganta. Sinto aquele frio na barriga típico de quem está prestes a abrir uma porta não só de uma casa... mas do passado inteiro. — Moça, a gente já chegou — diz o motorista, me tirando dos pensamentos. —

