CATARINA CURA FERIDAS

1504 Palavras

O sol ainda nem tinha tocado o alto da Vila Kennedy quando Catarina desceu os primeiros degraus da laje. O morro acordava cansado, arrastado, com cheiro de pólvora misturado ao de café fresco vindo das portas entreabertas. No chão das vielas, manchas escuras de sangue insistiam em lembrar que o dia anterior tinha sido um inferno. Dona Nilva gritou do topo: — Menina, leva esse pano limpo! — Tô levando, vó! Com uma sacola de primeiro socorros no ombro, Catarina seguiu pelas ruelas apertadas, chamando atenção de alguns moradores. — É a moça do Don. — A que ficou na laje chorando. — A que ele protegeu. Catarina ouviu, mas ignorou. Ela não tinha tempo para fofocas. Havia gente sofrendo, gente ferida, gente que não podia ir ao hospital sem virar alvo da polícia. E se tinha algo que

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