O DIA SEGUINTE DA GUERRA

1508 Palavras

A manhã nasceu cinza sobre a Vila Kennedy. Não era apenas o céu nublado — era o peso do que tinha acontecido algumas horas antes. A guerra deixara marcas nas paredes, no chão, nos olhos de cada morador… e principalmente no coração de quem esteve no meio dela. O morro parecia segurar um suspiro preso. Um luto silencioso. Catarina desceu da laje ainda com o rosto marcado pelo choro da noite anterior. Dormir? Impossível. Se fechasse os olhos, via o tiro. Via o sangue. Via o ódio entre o homem que a criou… e o homem que estava aprendendo a amar. Dona Nilva a acompanhou até a porta. — Hoje é dia difícil, menina. — Eu sei. — Tu tá pronta? — Não. — Mas vai mesmo assim. Catarina respirou fundo. Sim. Ela ia mesmo assim. Porque alguém precisava encarar a verdade. Quando Catarina

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