A noite caiu, mas ninguém no morro descansou. O ar tinha gosto de ferro. Cada passo ecoava como alerta. Cada olhar parecia carregar medo ou fome — ou os dois. Catarina tentou dormir, mas era impossível. A mente dela ainda estava no momento em que V.K encostou a testa na dela. Ainda estava no toque das mãos dele. Ainda estava no “traficante também sente”. E agora, ao fundo, os rádios dos soldados subiam e desciam como batimentos cardíacos: —“Movimento na entrada dois.” —“Carro sem placa descendo a principal.” —“Informante viu tropa se reunir perto da UPP.” Ela levantou e caminhou até a varanda. Dona Nilva estava acordada, sentada na cadeira de balanço, rezando baixo. — Não consegue dormir, vó? — Quem dorme com a guerra à porta? — Eles vão atacar? — Tua intuição já não te di

