O tiro ainda ecoava na cabeça de Catarina quando ela trancou a porta da laje. O coração dela batia mais rápido que o relógio velho pendurado na parede. Era como se o corpo estivesse ali, mas a mente ainda estivesse naquele quase-beijo… naquela quase tragédia… naquele quase tudo. Ela encostou na parede e deslizou até o chão. O toque dele ainda queimava no rosto dela. O cheiro dele ainda estava preso na pele. E a frase dele ainda cortava como lâmina: “Esse toque não aconteceu.” A avó apareceu na porta do quarto. — Eu ouvi tiro. — Foi lá embaixo. — E tu? — Nada… eu… — Tu tá com essa cara de pecado por quê? Catarina corou. — Eu não tô com cara de nada. — Tá sim. — Não tô. — Tu acha que eu nasci ontem? Catarina quase riu, quase chorou. — Ele te beijou? — Dona Nilva perguntou,

