SERAFINA
— Você não precisa ter medo, querida, — disse a mãe em voz baixa para que Sofia não a ouvisse. Minha irmãzinha estava ocupada puxando os grampos, mantendo seu cabelo arrumado acima da cabeça, fazendo caretas.
— Eu não tenho, — eu disse rapidamente, o que era uma mentira. Não era que estivesse com medo de dormir com Danilo, mas estava nervosa e preocupada em me envergonhar. Eu não gostava de ser r**m nas coisas, e eu seria r**m, já que não tinha experiência.
Ela me lançou um olhar sábio. — Tudo bem estar nervosa. Mas ele é um homem decente. Dante fala sempre enaltecendo Danilo. — Mamãe tentou soar casual, mas falhou miseravelmente. Ela acariciava meu cabelo como costumava fazer quando eu era pequena.
Nós duas sabíamos que havia uma diferença entre ser um homem decente e um soldado leal a Outfit. Tio Dante provavelmente baseava seu julgamento de Danilo no segundo. Não que isso importasse. Danilo sempre foi um cavalheiro e seria meu marido em poucas horas. Era meu dever me submeter a ele, e eu faria isso.
Meu cabeleireiro ocupou o lugar de mamãe e começou a prender meu cabelo loiro, arrumando pérolas e cordões de ouro branco. Mamãe notou Sofia brigando com o penteado e rapidamente se aproximou dela. — Pare com isso, Sofia. Você já soltou alguns fios.
Sofia baixou as mãos com um olhar resignado. Então seus olhos azuis encontraram os meus. Eu sorri para ela. Evitando as mãos de mamãe, ela veio para o meu lado e olhou para mim. — Eu m*l posso esperar para ser uma noiva.
— Primeiro, você vai terminar a escola, — eu a provoquei. Ela tinha apenas onze anos e ainda não havia sido prometida a ninguém. Nos casamentos dela, era sobre parecer bonita e o nobre cavalheiro com quem se casaria. Eu invejava sua ignorância.
— Pronto, — o cabeleireiro anunciou e recuou.
— Obrigada, — eu disse. Ela assentiu e rapidamente saiu, nos dando um momento.
O vestido era absolutamente deslumbrante. Eu não conseguia parar de me admirar no espelho, virando para a esquerda e para a direita. As pérolas e linhas bordadas em prata atraíam a luz lindamente, e a saia era um sonho que consistia em várias camadas do mais fino tule. Mamãe balançou a cabeça, as lágrimas borrando seus olhos.
— Não chore, mãe, — eu avisei. — Você vai estragar sua maquiagem. E se começar a chorar, vou chorar também e então minha maquiagem também ficará arruinada.
Mamãe assentiu, piscando. — Você está certa, Fina. — Ela enxugou os olhos com o canto de um lenço de papel. Mamãe não era o tipo emocional. Ela era como seu irmão, meu tio Dante. Sofia sorriu para mim.
Uma batida soou e papai espreitou da porta. Ele congelou e lentamente entrou. Ele me observou sem dizer uma palavra. Eu podia ver a emoção nadando em seus olhos, mas ele nunca mostraria isso abertamente. Ele veio em minha direção e tocou dois dedos nas minhas bochechas. — Pombinha, você é a noiva mais linda que eu já vi.
Mamãe levantou as sobrancelhas em choque simulado. Papai riu e pegou a mão dela, beijando os nós dos dedos. — Você foi, claro, uma noiva de tirar o fôlego, Ines.
— E eu? — Perguntou Sofia. — Talvez eu seja ainda mais bonita?
Papai levantou um dedo. — Vou mantê-la como minha filhinha para sempre. Nenhum casamento para você.
Sofia fez beicinho e papai balançou a cabeça. — Precisamos ir para a igreja agora. — Ele beijou minha bochecha, em seguida, pegou a mão de Sofia. Os três saíram. Mamãe virou mais uma vez e me deu um sorriso orgulhoso.
Samuel apareceu na porta, vestido um terno preto e gravata azul. — Você parece muito elegante, — eu disse a ele e senti uma onda de melancolia. Ele estaria a centenas de quilômetros de mim quando eu me mudasse para a vila de Danilo em Indianápolis.
— E você está linda, — ele disse baixinho, seus olhos me examinando da cabeça aos pés.
Ele se afastou do batente da porta e andou na minha direção, com as mãos nos bolsos. — Vai ser estranho sem você.
— Vou avisar Sofia que ela precisa mantê-lo na ponta dos pés.
— Não será o mesmo.
— Você vai se casar daqui a alguns anos. E logo você estará ainda mais ocupado com os negócios da máfia. Você nem vai notar que parti.
Samuel suspirou, em seguida, olhou para o Rolex que o pai lhe deu por sua iniciação, cinco anos atrás. — Também precisamos ir. A cerimônia deve começar em quarenta e cinco minutos. Vai demorar pelo menos trinta minutos para chegar à igreja.
A igreja ficava fora dos limites da cidade. Eu quis que a celebração acontecesse em um celeiro reformado no campo, cercado por florestas, não na cidade.
Eu balancei a cabeça, em seguida, verifiquei meu reflexo mais uma vez antes de pegar sua mão estendida. Com os braços ligados, saímos da suíte e entramos no saguão do hotel. As pessoas olhavam na minha direção e tinha que admitir que gostei da atenção delas. O vestido custara uma pequena fortuna. Foi justo, já que um grande número de pessoas me veria nele. Este casamento era o maior evento social da Outfit em anos.
Samuel abriu a porta do Bentley preto para mim e eu deslizei no banco de trás, tentando ajeitar a saia do vestido ao meu redor. Samuel fechou a porta e entrou na frente ao lado do motorista, meu guardacostas.
Nós nos afastamos e meu estômago explodiu com borboletas. Em menos de uma hora eu seria a esposa de Danilo. Ainda parecia irreal. Logo, os prédios altos deram lugar a campos e árvores ocasionais.
Samuel se mexeu no banco da frente, puxando sua arma.
— O que há de errado? — Eu perguntei.
Nós aceleramos. Samuel olhou por cima do ombro, mas não para mim. Eu me virei também e vi um carro logo atrás de nós com dois homens. Samuel pegou o telefone e levou-o ao ouvido. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, outro carro surgiu do lado e colidiu com o nosso. Nós giramos. Eu gritei, segurando o assento enquanto o cinto beliscava minha pele.
— Abaixe-se! — Samuel gritou. Eu me soltei e me joguei para frente, meus braços sobre a minha cabeça. Nós colidimos com outra coisa e paramos. O que estava acontecendo?
Samuel empurrou a porta e começou a atirar. Meu guarda-costas o seguiu. As janelas explodiram e eu gritei quando cacos de vidro caíram sobre minha pele. Um homem gritou e minha cabeça voou para cima. — Samuel? — Eu gritei.
— Corra, Fina!
Eu me enfiei no espaço entre os bancos da frente e encontrei Samuel encostado na lateral do carro, o sangue escorrendo sobre a mão que ele pressionava ao seu lado. Eu lutei para fora da porta e afundei no chão ao lado dele, tocando-o. — Sam?
Ele me deu um sorriso tenso. — Eu vou ficar bem. Corra, Fina. Eles querem você. Corra.